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05 julho 2017

Boas Maneiras: Inauguração Livraria ou Boas Maneiras no Coração

Acabamos de chegar da inauguração da nova Livraria Lumen Christi, a livraria do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, na Rua Dom Gerardo no centro. Na verdade é a inauguração do seu novo espaço porque a livraria Lumen Christi já existia noutro ponto dentro do Mosteiro de São Bento.

Tudo muito lindo e perfeito na inauguração da nova loja: espaço amplo, bem iluminado, excelentes livros, muitas autoridades e algumas celebridades, discursos e coquetel perfeito. Velhos amigos e muitos, muitos, amigos novos.

E aqui chegamos ao ponto de o que que esta inauguração tem a ver com este blog. Bom, claro que os livros sobre as virtudes e a ascética cristã são uma razão. É preciso comprar esses livros. Alguns delirantes, como o Compendio de Teologia de Tanquerey, e, claro, tudo sobre a Ordem Beneditina, quase tudo de Bento XVI e a coleção completa da Quadrante. E isto foi um pouco do que deu para perceber das prateleiras tal a multidão que lotava a livraria.

Mas quando vamos ao Mosteiro de São Bento sempre voltamos como que enebriados por essa doce recepção beneditina. Se há uma coisa que é sintomática do cristianismo é esse acolhimento católico, universal, que se sente nos ambientes verdadeiramente elevados pelo amor de Cristo.

Mas os beneditinos se excedem nessa doçura em receber. É impressionante. É muito, muito sutil. É uma acolhida repleta de uma doçura onipresente, singela e, confessamos, invejável. 

Já estivemos em muitos outros eventos do Mosteiro de São Bento e é sempre essa mesma sensação de se ser acolhido como se fôssemos membros daquela família, longamente conhecidos, queridos, anelados, mesmo que recém-chegados. 

E ao mesmo tempo tudo é tão natural e simples! Ou será que é porque tudo é tão natural e simples, regado por essa discretíssima humildade, longamente elaborada pela oração, que somos tão bem recebidos, acolhidos?

Por oposição nos lembramos agora dessas festas infantis, cheias de enfeites, brindes e decorações luxuosas, mas onde, não raro, os pais se comportam como quem levou o filho a um evento público, pelo qual "pagou" por levar o presente e acaba agindo com indiferença e desinteresse, não raro simplesmente descartando o filho na festa para que se "entupa" de prazeres externos... Os adultos não se envolvem nem ensinam os filhos a se envolverem com a alegria do aniversariante. Ou esses casamentos e reuniões onde a competição, a vontade de parecer "magra", rico, forte, poderoso, etc. é o único "ânimo" a mover a festa. Que diferença!

Como pessoa de comunicação nunca me canso de perguntar toda vez que vou lá: como eles conseguem ser tão doces ao receber? Se uma pessoa quiser ser um bom anfitrião deve procurar imitá-los, conhecer a Regra de São Bento. O acolhimento deles é sincero, a atenção que nos dão é verdadeira. Muito rapidamente, mesmo numa primeira conversa com eles, você se sentirá há muito "um velho conhecido". Suas conversas não tem aquela predisposição feita de receios, malícias, segundas intenções, nem a desconfiança e o jeito "armado" ou precavido das conversas do mundo laico. Que bom é estar no Mosteiro de São Bento!

Para se ter uma ideia vejam o que fez Dom.... A nossa amiga, que nos convidou para a inauguração da livraria, chegou muito atrasada nesse dia. Na verdade chegou três horas depois do início da festa.

Durante todo o tempo em que conversávamos se ela ainda viria ou não, Dom... nos dizia que ainda estava em tempo dela chegar. E quando passadas três horas do início da festa, ela realmente parecia que não viria mais, Dom lembrou-se prontamente de mil impedimentos plausíveis que, se a desculpavam de seu atraso, à nós, ao mesmo tempo, animava a acreditar no melhor.

A coitada da nossa amiga enquanto isso corria e fazia de tudo para livrar-se do dentista e do trânsito. Que mal teríamos feito se pensássemos mal dela e do seu atraso, tanto esforço ela fazia para chegar!

Mas ninguém pode pensar mal de alguém enquanto conversa com um monge beneditino! É impossível! Eles agem, na conversa, como anjos da guarda a nos defender dos maus pensamentos, dos cansaços, das preocupações, dos pesares inúteis e vaidosos e que tantas vezes nos levam à falta de generosidade quando não à crítica gratuita ou à maledicência.

Ah! Como seria bom ser assim na nossa vida em sociedade! Esta é a verdadeira educação! E esta educação não pode ser reduzida à "uma questão de regras de etiqueta".

A verdadeira educação é feita de valor real, feita de oração diária, de opção por uma fé que molda as relações sociais do homem pelo amor. E não por comportamentos baseados ora na conveniência comercial, ora nos humores.

Quando nossa amiga finalmente chegou Dom... prontamente acolheu-a com alegria e disse: " - Já tenho aqui novos amigos" se referindo a nós. Pensem bem, se nós nos estivéssemos sentindo constrangidos e negligenciados porque a pessoa que nos convidou para a inauguração ainda não havia chegado, imediatamente não nos sentimos mais assim depois desta frase. E se a nossa amiga estivesse preocupada com isso, ao ouvir esta frase, esta doce e discreta acolhida se sentiria aliviada. Sem esta frase, ou sem a interferência santa de Dom, a conversa, certamente, versaria sobre o atraso e não sobre os "novos amigos".Com esta frase de Dom  " - Já tenho aqui novos amigos" nossa amiga foi carinhosamente acolhida e nós, ao mesmo tempo elevados a amigos e chamados a alegria da sua chegada. E isto tudo só com uma frase só! Fala sério, é brilhante!

Ao invés de uma conversa sobre desculpas e preocupações todos fomos levados a saudar sua chegada ao mesmo tempo que nos sentíamos já incluídos. Se seguiram risos e alegria e ficamos todos mais contentes.

E isto aconteceu com uma frase só. Beira a genialidade. Ou será a santidade? E é tudo feito de tal maneira que um mais desavisado não nota. E não foi só esta frase. A conversa deles é sempre assim, toda entretecida da luz de Cristo. Como deveria ser a nossa. Donde se conclui que, "no frigir dos ovos", na vida cotidiana, importa mais a santidade.

Bem, isto é um pouco do que vimos e conseguimos colocar em palavras. Mas da capacidade de acolhimento beneditino há ainda muito mais para se aprender: há um ser em cada frase que é um consolo, uma alegria, um ânimo. E isto é preciso colocar na vida em sociedade. E é por isso que São Josemaría Escrivá, o santo da vida cotidiana, nos anima sempre a buscar "um algo santo na vida cotidiana que nos cabe descobrir". E isso é ser católico, universal. Dizem que Bento XVI é assim em sumo grau. Como eu gostaria de conhecê-lo!

Viva o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro!


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