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03 julho 2017

Boas Maneiras e o Valor do Dinheiro

Uma pessoa de boas maneiras sabe que o dinheiro é meio para realizar coisas importantes, mas não deve ser um fim em si mesmo. Viver somente para amealhar valores nos tornará ou infelizes, ou medíocres ou as duas coisas, o que, aliás, é de longe o mais provável.

Um pai de família deve ser prudente e trabalhar para conquistar valores que em última instância melhorem a vida de sua família. Filhos bem alimentados e propriamente instruídos irão fazer melhores interferências na vida em sociedade. Portanto, deve ser interesse de toda a sociedade que todos tenham dinheiro através de um trabalho honesto.  

Mas, mesmo esta consciência da importância do dinheiro, não muda o fato que dinheiro é um meio, e não um fim em si mesmo.

Sabemos disso, a maior parte de nós não é tão caricato assim quanto os corruptos e tão opressor como patrões presunçosos e avaros. E nem nos assemelhamos aos comerciantes que enganam seus clientes ao venderem produtos vencidos, aumentar abusivamente os preços, vender gato por lebre, etc. no seu tudo por dinheiro. Estes comerciantes são tão desprezíveis quanto os ladrões e corruptos. E isto para não lembrar dos aliciadores por dinheiro. Como se vê a avareza é dos mais hediondos e desprezíveis pecados que se podem cometer. 

Mas será que nós, que não cometemos esses pecados terríveis na vida cotidiana, podemos estar dando importância maior ao dinheiro que às pessoas?  Vejamos.

Que Força tem o Valor do Dinheiro nas suas Relações Cotidianas?

Uma vez um cabeleireiro, assim que chegou uma senhora que era dona de um shopping num subúrbio, deixou de atender a sua cliente e passou rapidamente a adular a rica que havia chegado. Travestiu-se de tais maneirismos de excitamento e de tais gentilezas com a rica que se via muito ridículo. A adulação é sempre uma fruição maior que o próprio conteúdo e portanto um rebaixamento da pessoa humana ao seu objeto de adulação. A rica foi embora sem lhe dar gorjeta. Os nossos recursos só tem valor se de fonte honesta e do nosso trabalho. Adulações e oportunismo são corrupções de caráter comparáveis aos mais desprezíveis roubos de comerciantes desonestos. 

Uma vez, numa associação, vi outra dessas situações desprezíveis em que a pessoa vale menos que o dinheiro. Isto é sempre uma inversão do que é nobre, bom, agradável a Deus, um absurdo portanto. A senhora tratava a pobre associada com indiferença. Tão logo a viu entregar sua contribuição, sorriu-lhe e a convidou para outras atividades da associação. Sem o dinheiro ela teria tratado a senhora com sua habitual indiferença.

No caso acima A tratou mal a B por esnobismo, por hierarquizar o valor dos OUTROS pelo quanto possuam em dinheiro ou bens. Mas há quem trate mal à si mesmo pelos mesmos motivos. São os eterno auto-humilhados por se verem sem posses.

A pessoa educada não se diminui por razões de posses financeiras, ou qualquer outra em hipótese alguma. ( Quando assumimos um erro, não estamos nos diminuindo, ao contrário, nos estamos engrandecendo pela prova de verdade e verdadeira humildade.)

A missão de cada um nos foi dada por Deus. E se agora temos que cuidar dos filhos e não podemos estar-nos em gastos supérfluos como suas amigas, não devemos NENHUMA justificativa sobre isso e muito menos devemos nos sentir humilhados por não gastar em bobagens. Ou se estamos comprando uma casa e não temos dinheiro para o chopp com os amigos, etc.

Na verdade nós devemos contas dos nossos atos somente a Deus e como disse São Josemaría Escrivá, o santo da vida cotidiana, vergonha só para pecar.

Assim, chegar a se auto humilhar de dar explicações porque não tem isso ou aquilo é mais provavelmente um ranço da nossa cultura escravista-excludente. Numa ocasião vimos uma doméstica tratar com bastante intimidade e liberdade à uma conhecida. Um dia indo à casa da conhecida e descobrindo que ela era uma "madame", transformou-se de íntima e até folgada amiga em subserviente e deslumbrada. A pessoa educada e de boas maneiras jamais se diminui em virtude das posses materiais dos outros. O respeito é devido a todos e respeito não tem nada a ver com a auto-humilhação ou esnobismo. 

A pessoa de boas maneiras tem por meta portanto, tratar a todos com profundo respeito. Poucas coisas mais podem torná-lo mais bem educado. E também poucas coisas mais poderão conservar sua vida da mediocridade dos avaros e dessa auto-humilhação subserviente que nos torna tão atrasados. 

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