08 outubro 2015

Boas Maneiras para Homens: 17a. de 100 Dicas

Outro dia, um taxista, conversando comigo, se lamentava de que tinha que apanhar o filho no colégio e de como isso atrapalhava o seu trabalho porque para apanhá-lo às 18hs já às 17hs tinha que ficar pendente do horário e não poderia apanhar corridas muito longas e que tinha que conversar com a mulher sobre isso, etc. Eram apenas 15hs quando ele me disse isso, de modo que suspeito que sua "preocupação" era uma desculpa para ele ir parando bem mais cedo o que me fez pensar que todo aquele "problema" era uma bela desculpa para enrolar. Mas quem sabe. Mas ele não poupou elogios à mulher que trabalhava fora e ainda mantinha a casa um brinco. Esta, na verdade, era a origem da conversa: o trabalho do lar.

A 17a. dica de boas maneiras é esta: alarguem os horizontes das suas obrigações. Não se pode ser um grande homem sem cumprir bem suas obrigações. E para cumpri-las bem é preciso ter uma visão mais ampla, mais nobre do que temos que fazer. 

Ou seja, nossas obrigações não são apenas as profissionais: temos obrigações para com Deus, para conosco mesmos, e como filhos, pais, profissionais, vizinhos, cidadãos, frequentadores de um clube, como tios, como avós, etc. 

Quando se é bem educado não apenas sabemos nossas várias áreas de atuação como buscamos ser excelentes nelas. E ser excelente naturalmente não quer dizer imediatista, comodista e muito menos que se reduza as relações humanas à conveniências pessoais ou de momento, valendo-se aí de usar de violência, de lamúrias, de chantagens, etc.

Quando temos essa boa educação vemos que aquele momento de apanhar o filho no colégio é um momento de educá-lo, de fazer florescer a sua personalidade, por exemplo. Se considerarmos a paternidade uma grande graça de Deus teremos em mente que Deus nos deu aquela pessoinha, aquele filho para fazermos o que Deus espera para ele. O que eu faço para educá-lo, para conhecê-lo, para fazer florescer os talentos do meu filho, animá-lo, fortalecê-lo? 

Ao mesmo tempo esse trabalho de buscar o filho no colégio é uma ocasião de apoiar a esposa e portanto a família. Não sei quantas corridas se perdem em uma hora de trabalho, e quem sabe pudessem ser compensadas noutro horário, mas não há tostão, ou clientes que valessem o que esses momentos são para aquela esposa, aquele filho, aquela família. É preciso alargar os horizontes de nossas obrigações e dar-lhes a dimensão que tem.

São Josemaría Escrivá, o santo da vida cotidiana, costumava dizer que a vida diária pode ser entregue a Deus como uma oração se for vivida assim com virtudes cristãs, com essa largueza de um coração grande, que sabe amar. Que objetivo pode ser maior na vida que santificar a família e a si mesmo por realizar sua obrigações diárias como se estivéssemos na presença de Deus? Nós nos rebaixamos quando por preguiça reduzimos o que deveríamos ser ao preço de duas corridas de táxi.

Cristo passou a vida fazendo o bem e fazendo tudo bem feito. É o que devemos fazer também. E não apenas na nossa atividade profissional, mas vivendo cada aspecto da nossa vida com a grandeza de quem tem os olhos postos em Cristo.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "