21 setembro 2015

Boas Maneiras para Homens: 16a. de 100 Dicas

A formalidade em sociedade, foi inventada para criar um "espaço" de aproximação, durante os primeiros contatos, para que pudéssemos conhecer melhor a quem acabamos de ser apresentados. Ignorar isso no afã de ser aceito ou de ser simpático é um tiro no pé.

Antes de franquearmos qualquer aspecto de nossa vida pessoal com um estranho devemos conhecê-lo melhor. E isto muitas vezes não vai acontecer. O homem de boas maneiras sabe respeitar a formalidade, sabe reconhecer as circunstâncias em que está inserido. E por isso não se fará de íntimo de chapa, de grande amigo fora de hora e local, fora da verdade.

Por exemplo, não falará com o atendente do balcão da burocracia, enquanto aguarda na fila,  em voz alta para todos ouvirem, com grande riqueza de detalhes e muito entusiasmo sobre o futebol de ontem. Só consegue perturbar as pessoas em volta e atrasar o atendimento do caixa, fazendo com que toda fila que aguarda saia ainda mais prejudicada do habitual mal atendimento burocrático que temos no Brasil.  Não faça. Respeite tudo que existe porque existe, porque contém o Ser e só por isso já merece respeito e não precisa ser aprovada ou não por você e muito menos pretenciosamente manipulada. Reclame pelos canais competentes de modo eficiente, mas não se arvore malandragens de momento como essa falsa simpatia.

Não se trata de se elitizar em relação aos demais. Isso é pedantismo. Mas, com muita cortesia e simpatia não forçar o grau de proximidade, nem querer "administrar" os outros de forma artificial. Isso é presunção e desrespeito. O homem de boas maneiras trata a  todos com educação, cortesia e sem falsidades, a começar por evitar essa falsa proximidade e essa simpatia daí decorrente com que pretende ser mais do que é ou administrar as circunstâncias de modo pretensioso e desrespeitoso. Em uma nação com tão longa duração do escravismo, 400 em 500 anos de história, os ranços são muitos.

Acredito que este seja um deles. Como a sociedade escravista é a exclusão por excelência, não temos direitos, é preciso muita adulação para conseguir um simples atendimento na burocracia por exemplo e então não faltam os que já chegam adulando, com intimidades e falsas simpatias.

Precisamos nos pautar por novos valores. Todos temos direitos e por isso não vamos adular com forçada simpatia a ninguém. Antes vamos exigir nossos direitos. É preciso parar de repetir, na vida em sociedade, a cultura da exclusão que ao se repetir reforça a cultura da exclusão, o que se dá em muitos pequenos detalhes da nossa cultura cotidiana. Repetir essas "malandragens" como a estudada simpatia com que se pretende conseguir O QUE SE TEM DIREITO perpetua os ranços da exclusão escravista de que todos sofremos as consequências  negativas e não apenas os descendentes de escravos.

Esta é a 16a. de 100 Dicas de Boas Maneiras para os Homens:

  1. Não ignore a hierarquia se fazendo de íntimo do poder. O vulgo papagaio de pirata, aquele que esta na foto ao lado da celebridade que nem o reconhecerá amanhã.
  2. Não dê tapinhas nas costas de quem não conhece.
  3. Não conte intimidades para quem não conhece.
  4. Não finja que não percebe o desinteresse da mulher pelos seus comentários insistindo com ela, criticando-a, apontando-lhe defeitos ou fazendo essas gozações típicas das pessoas inseguras para diminuir quem não entrou na sua. Respeite a formalidade, o desejo do outro. 
  5. Por mais que goste da comida, do que for, não a imponha aos outros.
  6. Se não tem o que dizer, fique na sua, mas não queira ser íntimo por contar piadas grosseiras, vangloriar-se, falar palavrão, ou falar alto e insistentemente do seu time de futebol. (Que coisa insuportável!)
  7. Acredite ninguém lhe deve nada, você não é irresistível, ninguém o está paquerando, ninguém o está diminuindo, nem comparando. Saia do pedestal em que o colocou o seu egoísmo e converse com respeito, sem temor e com muita educação com todos. Ouvindo e escolhendo de quem vale a pena ser amigo e sem confundir isso com relações meramente comerciais ou ocasionais.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "