10 março 2015

Boas Maneiras e Dignidade ao Vestir-se

Quem ama sua dignidade cuida da sua elegância o que envolve não só aparência mas os valores e suas boas maneiras. 

A dignidade humana envolve aqueles assuntos que enobrecem ou degradam a pessoa ante si mesma, ante sua auto-estima e frente à consideração dos outros. Nesse sentido temos que buscar nos formarmos, temos que buscar ser elegantes, aprender como fazer bem todas as coisas para sermos um conjunto e não uma aparência de beleza e nobreza. Ser feio ou bel no sentido mais amplo do termo é uma parte decisiva de nossa dignidade. 

Assim, elegância e bom gosto tem que ver com uma cerca capacidade, um certo discernimento espiritual que nos leve a querer ser bons, belos em tudo que nos concerne como nossos costumes, modos de agir, trabalho, relacionamentos e quanto à nos mesmos. 

E atingir esse grau de elegância é uma coisa que se aprende, que se adquire, mais do que é inato. As coisas de mau gosto ou viciadas pelos defeitos como a preguiça não podem ser indiferentes mas sim “enfeiadoras”. 

A beleza no sentido físico ou estrito está associada à harmonia e à proporção das partes dentro do todo, sejam as partes do corpo, da roupa e dos adereços, seja da linguem ou da nossa conduta. Ma sendo pendente da harmonia a simples presença de uma grosseria numa mulher elegante já lhe tira a beleza toda que pelo lado físico prometia. ( Baudelaire) 

O íntegro também se exige para se ser elegante. E ser íntegro é precisamente estar bem feito. É aquilo que não sobra nem falta nada porque está completo e perfeito dentro dos seus limites e conforme a sua orientação última. Ou seja, sendo criaturas limitadas a perfeição está exatamente em que tudo que se faz está em harmonia com o seu objetivo com aquilo que lhe dará a plenitude. 

Por isso a elegância envolve todo o ser da pessoa enquanto ele for íntegra, possuidora da sua plenitude. Por isso o ser elegante significa ser integramente belo. Esta integralidade não se limita só ao aspecto do vestido e da apresentação exterior. 

Necessariamente há que incluir o que a pessoa mesma é e o que dela se manifesta. Assim uma conduta elegante é aquela que realizamos abandonando seu próprio comodismo para empreender a busca do que em si mesmo é valioso, aquilo que vale a pena por si mesmo, o que tem caráter de fim, o que uma vez alcançado acrescenta felicidade e perfeição. Visto assim esse bem que se procura não pode ser apenas o falar bonito, o de parecer bonito, vestir-se “elegantemente” ou “ com um estilo pessoal” ou a arte da beleza corporal, mas antes o que nos dará a elegância são os bens autênticos porque só esses nos fazem felizes e nos fazem bons e consequentemente belos. 

Ao buscar os bens verdadeiros descobrimos o que convém ao homem e o que o verdadeiramente o aperfeiçoa. Por isso quem vivem em harmonia consigo mesmo, quem se auto domínio, quem empreende essa busca do bem mais alto e árduo, esse bem que constitui um ideal de vida, dessa pessoa se diz que é boa, de uma bondade bela e íntegra possuída desde si mesma. E esta é a verdadeira elegância. A que radica na alma e embeleza porque põe nela o amor, a beleza, a virtude e o saber verdadeiros. 

Em resumo podemos dizer que a beleza não é só física, mas moral. Como esse é um bem desejado a elegância passa por cuidarmos de nós mesmos: os modos, a roupa, os adornos, a forma bela de expressar os pensamentos, o modo de caminhar, a nossa figura, a expressão de cada gesto. Todos os nossos gestos e modos devem expressar essa elegância que é o reflexo da dignidade humana que buscamos. A elegância se desenvolve e se aprende é nesse esforço cotidiano de praticá-la. 

Essa elegância tem outro importante componente: a arte e o estilo pessoais como expressão da própria personalidade e do próprio gosto. Um homem elegante tem “estilo” próprio porque dispõe as coisas com distinção, cria ao seu redor um ambiente cuidadoso e agradável embelezado pelos adornos escolhidos que traduzirão seu entendimento pessoal e único. 

A distinção de nossa “elegância” está neste selo pessoal que colocamos no que fazemos. A elegância é assim expressão da personalidade e da criatividade de cada um num desafio a massificação imposta pelo consumo padronizado de não só produtos e estilos mas atualmente até de identidades. 

O enfeitar tem muito a ver com a ideia de festejar. Todo enfeite tem essa dupla função é ao mesmo tempo representativo e acompanhante. 
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "