25 fevereiro 2015

Boas Maneiras e a Autenticidade

  1. A individualidade, essa originalidade própria e única de cada pessoa vai se formando a partir da experiência, dos conhecimentos e das melhoras pessoais que as virtudes praticadas vão conformando naqueles que as praticam.
  2. Se este conjunto de fatores tem a unidade e a coerência de estar pautado por um sistema, em si mesmo, harmônico de valores, dizemos que essa pessoa é autêntica. Portanto uma pessoa que reage conforme humores, ou é arrastada por suas paixões, ou por defeitos de caráter mais ou menos habituais, não é autêntica porque a autenticidade pressupõe uma escolha pessoal e consciente.
  3. A falta de autenticidade se manifesta de várias maneiras: as pessoas superficiais, pendentes de aprovação, aquelas manipuladoras ou as que buscam a si mesmas nos outros não podem ser autênticas. Todo interesse pouco reto movendo uma ação, ou comportamento artificial ou malicioso é falsidade. A naturalidade, o conhecimento próprio dos limites e potencialidades, e os valores modelam e levam a pessoa autêntica a ser simples, a ser ela mesma. Também não podem ser autênticas as pessoas que facilmente se deixam levar pelos outros, ou pela mídia. Do mesmo modo as pessoas exageradas – em graças, tragédias, “deslumbres”, alegrias, etc. – não podem ser autênticas. São pessoas que se comprazem em se destacar com seus exageros.
  4. Há sempre uma perda muito grande em não se viver o real, que é onde Deus está e nos espera. A pior perda da falta de autenticidade é enganar-se a si mesmo o que equivale a “perder” a vida, aquela vida real e bem vivida que é a única que interessa viver. Toda essa falta de autenticidade é sempre uma atitude de orgulho que nega o real por preferir o seu próprio “eu”.
  5. A pessoa autêntica vive o real: não quer exagerar, aparentar o que não é, e não adoça as experiências para destacar-se, não nega o trabalho e o esforço necessário de um trabalho ou sacrifício a cumprir com falsas desculpas. A pessoa autêntica não se auto-engana, é ela mesma em tudo que faz, é honesta, objetiva e verdadeira, não negando o valor de nada que lhe acontece ou existe.
  6. Não mentir: nem para si, nem para os outros nem sobre a realidade.Viver na verdade nos mantém em contato não apenas com a realidade concreta, seja ela a material ou emotiva, circunstancial,  mas também nos coloca em contato conosco mesmos. Para evitar a mentira é preciso controlar os excessos da imaginação: sem controle a imaginação cria uma realidade falsa onde vemos um mundo cheio de grandezas prepotentes ou imaginárias, de ressentimentos, culpas e razões sem razão, de preocupações egoístas pelas quais vemos os outros na medida de sua utilidade para nossos interesses, ou um mundo cheio de temores, necessidades de anulação, corrupção, covardias,  etc. Manter-se na verdade nos torna sãos e mais capazes. 
  7. Evitar ter uma personalidade para cada grupo: na roda de amigos canalhas topa corrupções, golpes e abusos de luxúria, bebidas, etc., em família posa de decente. Devemos ser nós mesmos e não cooptarmos com nada daquilo com o qual não concordamos.
  8. Policiar-se para evitar os defeitos de caráter que fazem com que busquemos a nós mesmos em tudo e em todos. Desse modo respeitaremos os demais evitando impor-lhes nossa opinião, e estilos de forma abusiva.
  9. Ser sempre fiel às promessas, compromissos e deveres inclusive os mais simples e cotidianos, como lavar a louça ou fazer o dever de casa quando se deve. Veja virtude da pontualidade.
  10. Viver sempre e em todo lugar as normas de boas maneiras, piedade, leis e bom senso sem desculpas ou justificativas para conceder em exceções que levem à corrupção dos bons hábitos.
  11. Saber ceder quanto às nossas antipatias e interesses em prol do bem comum. Evitar os julgamentos que azedam e criam maledicência.
  12. Não ter vergonha de ser e de que o vejam como é. O que não quer dizer que não possa receber bem conselhos e críticas que o façam crescer. Ser autêntico não é impor aos outros nossos humores, hormônios e idiossincrasias, mas ser o que somos sem dissimulações e vergonhas descabidas na maior parte das vezes filhas da própria soberba. Uma pessoa autêntica é naturalmente confiante pela fortaleza que cresce na constância e unidade de vida que todos os seus movimentos espelham.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "