07 outubro 2014

Boas Maneiras: Indo até a Mesa


Alguns desses gestos de boas maneiras, muito sutis na verdade, são expressão de delicadeza e respeito e, tendo sido marcados como "regras de etiqueta" podem parecer mero formalismo ultrapassado.

Mas na verdade não são se os compreendemos bem. Certamente não deveriam ser seguidos por serem "normas" de etiqueta, mas porque seriam expressão dessa delicadeza e consideração que naturalmente sentimos pelos outros na vida em sociedade. 

Lembrete Sutil de Boas Maneiras para Quando nos Dirigimos até à Mesa de Jantar


Antigamente a dona da casa indicava qual cavalheiro deveria acompanhar uma senhora até a sala de jantar. Isso está valendo até hoje. Se não como formalismo rigoroso, certamente como expressão de que, nas refeições,  "acompanhamos" as pessoas. E é sempre um entendimento mais humano o que nos deve guiar na hora das refeições e não a mera ingestão de alimentos com suas tantas considerações sobre cardápios, dietas ou restaurantes da moda.

A ideia aqui é que ao compartilhar a comida vamos compartilhar os corações e portanto não se trata de apenas ingerir alimentos. Das pessoas com quem trocamos momentos agradáveis nascem encontros, relacionamentos e trocas que podem mudar uma vida.

Se não estiverem acontecendo muitos encontros de qualidade nos seus círculos e suas saídas são sempre para muita bebedeira e azaração apenas, pode estar na hora de rever a importância que dá ao desenvolvimento do seu próprio valor humano por um lado e. por outro, buscar relacionamentos de mais qualidade evitando esse aumentar o número de noitadas, baladas ou pizzas superficiais em shoppings que são só glutoneria movidas por consumismo egoísta e frívolo para não falar da irresponsável preguiça de cozinhar que leva tantos idosos e crianças a estarem mal alimentados.

Boas Maneiras: Indo até a Mesa


Mesmo numa simples pizza com os amigos é importante não ir sentar-se à mesa com essa atitude de independência em relação aos outros, mas acompanhar quem vai até a mesa almoçar com você com atenção e consideração.

Fazemos isso por essas atitudes de cortesia como um sorriso, um pequeno serviço como afastar uma cadeira que está no caminho, a troca de algumas palavras atenciosas e a obediência à precedência nessa "caminhada" até a mesa. É assim um ir junto, um compartilhar desde que se encontram e não só uma vez já sentados, e no qual se percebe sempre que as pessoas são mais importantes que as circunstâncias.

Tem homem que ignora a pessoa ao lado se ela não for a "gatinha" que ele aprovaria. Isso é uma grosseria sem par. Não fique "na sua" até chegar à mesa, não ignore essa conversa social que são propostas por pessoas educadas nesses momentos. É preciso acolher a todos, fazer companhia desde a hora que nos encontramos no restaurante, antes de sentar-nos e durante toda a refeição. E para isso:

  1. Acompanhar quem está ao seu lado ou quem lhe é indicado até a mesa com um sorriso, uma palavra amiga o que for. 
  2. Vamos até a mesa respeitando uma precedência apropriada. Deixamos os pais irem primeiro, ou os avós, ou o anfitrião que sempre para na entrada da sala para deixar entrar os outros. 
  3. Algumas pessoas simplesmente ignoram essa precedência como se à hora de se dirigir ao local em que devem se sentar todos estivessem correndo para ver quem chega primeiro. E assim, ostensivamente negam a precedência e com isso, a atenção devida aos demais. 
  4. Portanto, nada de correr para a mesa, para pegar o melhor lugar, o lugar na janela ou servir-se antes dos outros. Evite esse passear para dar uma olhada no buffet ignorando os seus acompanhantes e caso tenha se servido de algum drinque não deixe isso impedir de acompanhar os demais caso seja a hora de dirigir-se à mesa. Em resumo, é um ficar junto muito sutil. 
  5. Se é uma situação muito formal haverá um arranjo feito pelo cerimonial que deverá ser seguido porque se os convidados não se conhecem não sabem o nível hierárquico dos convidados e não tem nada mais cafona do que tomar liberdades com pessoas que deveriam ter precedência, passando-lhes na frente, fazendo apresentações ou comentários fora de lugar. Saber qual é o seu lugar é prova de boas maneiras. Deixar os filhos entrarem no restaurante correndo e falando alto como se estivessem entrando em seus quartos, perturbando a refeição das outras pessoas é ensiná-los a serem mal educados ali e em todos os lugares onde eles não reconheçam o papel deles e o direito dos outros.
  6. Do mesmo modo, não se busca "aparecer", falando alto, apontando caminhos, dizendo que conhece o restaurante, o que é bom de comer ali ou coisas do gênero, assumindo ares de guia turístico. Espere que todos se sentem e estejam bem acomodados e tenham feito seus pedidos para propor uma conversa entre todos. 
  7. A precedência quando não é formal pode ser de outro tipo, mas a consideração pelas pessoas sempre impõe alguma precedência exatamente para facilitar a integração entre as pessoas. Por exemplo, a senhora menos conhecida do grupo tem a preferência para que se sinta bem acolhida. Ou seja, vai conduzida pelo anfitrião em primeiro lugar. Conduza até a mesa, a sua futura sogra, que acabou de conhecer, na frente das outras pessoas, e não ao amigão do peito com quem quer falar de futebol ignorando não só a sogra mas o possível constrangimento da situação, por exemplo.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "