07 setembro 2014

Pontos Práticos da Qualidade da Discrição

Outra qualidade de nossos atos e palavras é a discrição pela qual segredos naturais e a intimidade dos outros não se dizem nem são objeto de nossa especulação.

Coisas que podem magoar não devem ser ditas. De nos calarmos não vamos nos arrepender nunca. Se não for em função de caridade ou nosso dever denunciar um erro não devemos fazê-lo. 

Se falarmos muito há maior possibilidade de errarmos divulgando o que não devemos. Quando sentimos raiva é a melhor hora para sermos discretos. Sermos discretos é calarmos nessas circunstâncias. Devemos procurar as palavras que refletem a vida. A boca fala da abundância do coração.

É preciso conter o livre tráfego da intimidade na vida em sociedade. Temos direito a uma certa reserva em relação aos nossos sentimentos; à nossa família e muito mais à nossa vida íntima. Discrição não é fazer mistério, nem segredo é simplesmente naturalidade. 

Tem certas coisas que são para ser sabidas só pelos participantes da questão, e ninguém mais. Se uma amiga nos confessa um segredo devemos guardá-lo. Devemos conservar nossas penas e alegrias em segredo, sem transformá-los em assunto de todas as rodas que frequentamos. 

Tampouco devemos difundir os defeitos dos outros ou a intimidade de nossa família. Para sermos bons amigos é preciso que sejamos discretos. 

Às vezes também, até as alegrias devemos conservar só para nós se não estamos com pessoas que irão alegrar-se por nós. 

Tampouco devemos invadir a privacidade dos outros com perguntas indiscretas. Estas pessoas invasoras da privacidade alheia demonstram que não tem vida interior mas que vive pendente de uma novidade de uma notícia externa.

Guardar também aquilo que há de valor dentro da gente para oferecê-lo somente aos amigos e a quem nos ama realmente. Este é o princípio da entrega física íntima também. Nosso corpo não é para uso público ou circunstancial.

A discrição também ajuda a descobrir o sentido, o valor mais profundo das coisas o que é muito difícil para quem está voltado para fora, a caça de emoções. 

A discrição nos ajuda a perceber a amizade, o valor das pessoas e o valor das coisas. Um bom exercício de discrição é passar as olhar as pessoas sem reparar nos seus defeitos e deixar-se surpreender pelas boas coisas das outras pessoas. Veja se você sabe prontamente as qualidades dos seus amigos. É melhor notar nelas que nos defeitos.

Algumas pessoas simplesmente não são "notáveis", parecem não ter muita qualidade humana e por isso reparam no defeito dos outros como que para se projetar como melhor. Tenha qualidades, a começar por não notar no defeito dos outros de forma tão aferrada. Deixe ir, solte essas ofensas, prevenções, acusações e ofensas, deixe-as ir com uma oração por quem lhe ofendeu ou desagrada.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "