02 setembro 2014

Boas Maneiras na Copa do Mundo

De um modo geral temos uma boa noção de boas maneiras para receber bem os estrangeiros que vem para a Copa do Mundo, mas não custa nada relembrar alguns pontos.

As Boas Maneiras durante a Copa do Mundo passa por evitar o Excesso

Com quatrocentos anos de escravidão em pouco mais de quinhentos anos de história é evidente que nossos costumes refletem, se não mais, algum ranço da relação de dominação e exploração do sistema escravista.  

Acreditamos que isso aconteça em especial com a "autoridade", com o rico, com o "doutor", o bacana, o estrangeiro. 

E podemos então ter duas reações meio intuitivas e subconscientes de natureza oposta com os estrangeiros: ora odiamos o gringo previamente porque nos sentimos humilhados previamente numa comparação imaginária ou subconsciente fortemente reforçada pelas doutrinações à esquerda que recentemente substituíram os conteúdos nas universidades e na cultura brasileira,  ora nos deslumbramos até o completo esvaziamento de nós mesmos com o "olho azul",  a câmara fotográfica, e outras bobagens. E isto podendo chegar a cúmulos de ridículo e de auto-humilhação. Não façamos isso. Ninguém é melhor do que o mais humilde dos brasileiros. Mesmo que muitos brasileiros tratem assim o próprio compatriota: no Sus, nas filas da Receita Federal, etc.

E isso se traduz cotidianamente em várias atitudes que devem ser evitadas.
  1. Prévias caras de má vontade, desdém ou desprezo durante o atendimento.
  2. Respostas ou atendimento duros e antipáticos mais parecidos à um interrogatório criminal.
  3. Adulações, concordâncias, excessos de atenção a custa de prejuízos pessoais e morais por falta de caráter. 
Nada pode ser mais vulgar do que isso. A pessoa educada sabe o seu valor, respeita tudo que existe e guia-se por seus princípios sagrados ( e não comerciais ou de momento) e por isso mesmo estando no último posto na vida em sociedade, sabe o seu valor. 

Talvez seja necessário evitar o excesso de exposição do particular, do pessoal de imediato. Sabemos que alguns povos são muito elitistas. Os ingleses por exemplo acreditam piamente que foram feitos para governar o mundo e tem frequentemente atitudes que refletem essa bobagem. O melhor é não expor-se a comentários desnecessários. Sabemos que todos os europeus com sua história de colonizadores tem esses ímpetos elitistas. Melhor ser um pouco mais formal: ser educado, acolhedor, mas sem franquear a própria intimidade de imediato como quem "precisa" da aprovação externa. ( Todos sabemos que em seus momentos de elitismo os franceses são snobes, os alemães duros e exigentes, os italianos desrespeitosos, os americanos acreditam piamente na inferioridade do resto do mundo, etc.)

Saber o seu valor e agir como tal é o primeiro passo para ser uma pessoa educada. 

Não Roubar

Algumas vezes pensamos que somos muito espertos por imaginar que os outros são bobos. E assim nos contemplamos e nos lambemos com êxtases de auto exaltação ao imaginar manobras que acreditamos ser esperteza ou inteligência, mas são roubo, corrupção de caráter ou preguiça dissimulada.  E bolamos mil estratégias para passar a perna nos outros vendendo gato por lebre, produtos vencidos, preços majorados, etc. Ninguém merece ser enganado. Se queremos ser respeitados, é preciso respeitar os demais. Aqui também vale a máxima de Cristo de fazer aos outros o que gostaria que fizessem conosco.

Não à Prostituição

Algumas pessoas infelizmente terão uma propensão para promover a própria ou a prostituição dos outros com vistas a "se dar bem", enganar o gringo, ganhar algum dinheiro. Isso é crime e não deve ser permitido em nenhuma escala. Nem nesse nível de moças ou mulheres tontas que pensando tratar-se de um "namorado" facilmente cedem aos desejos masculinos e ganham uma blusa e em muito se assemelham à prostituição mais ordinária. Só elas se enganam sobre o verdadeiro motivo de seu comportamento. Nada de ceder por um olho azul, uma promessa falsa.  Essa "cultura" de excessiva "sensualidade" promovida por uma mídia desrespeitosa e uma moda profundamente equivocada torna toda mulher brasileira passível de ser ofendida por preconceitos estrangeiros. Não se exponha. 

Estádios

O excesso é o maior inimigo das boas maneiras: excesso de bebida, de drogas, de "hormônios" machistas, de violência na torcida. Mantenha a moderação, a consciência alerta e não ceda às más companhias. Prefira sair de perto a ceder à essas corrupções de comportamento que se sucedem em cadeia com as bebidas, provocações, etc.

Obedeça as regras: do estacionamento, da indicação da sua cadeira, de cortesia, espere a sua vez, não fure fila, não se exceda na torcida a ponto de incomodar os outros, libere a passagem, não faça caso de pouca coisa, mas antes sorria e tire por menos,etc.

Mantenha o estádio limpo: não jogue nada no chão, não suje o banheiro, ( se o fizer limpe), puxe a descarga -sempre.

As Boas Maneiras e o Sub-Produto da Copa


O principal sub-produto da Copa do Mundo que se procura para o Brasil é uma boa propaganda de que somos um bom lugar para investir, para viver, para se acreditar. E isso não será feito pelos jogadores, mas pelos prestadores de serviço. Não só os prestadores de serviço dos locais onde os famosos jogadores estarão, mas todos que entrarem em contato com torcedores. Nesse sentido aquele júnior de uma multinacional que um dia será sênior que terá um papel no desenvolvimento de um software, produto, serviço ou celular, essa pessoa terá uma impressão sobre o Brasil que dependerá em muito da impressão que teve do país durante a sua passagem pelo Brasil.

Conheço pessoas que nem vem à América Latina por desprezo por nossa pouca higiene, famosa corrupção e brilhante posição nas escalas de educação - se considerarmos as estatísticas de baixo para cima -  fácil prostituição e crimes violentos que nos colocam semelhantes aos mais miseráveis países do mundo. Poderíamos quebrar um pouco esses esteriótipos com um comportamento exemplar. Faça a sua parte.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "