06 setembro 2014

Boas Maneiras e as Visitas aos Doentes

A doença é parte da vida em sociedade. E as pessoas educadas tem que estar preparadas para agir apropriadamente quando ela acomete os nossos familiares e amigos. E é claro quando nos acomete também, mas isso é tema para outra postagem.

O que não podemos é tratar as pessoas enfermas conforme a nossa conveniência. Ou seja, se estou a fim procuro saber ou não, se não estou com vontade não a visito, etc. Isto jamais!

É dever de todos a caridade, a que todos estamos chamados. Por isso sempre devemos procurar saber notícias da pessoa doente, enviar cartões ou flores, visitar, participar de Missas e  ir aos enterros oferecendo nossa solidariedade de forma educada, firme e séria.

Por exemplo, há pessoas que cumprem o preceito da visita com tal ansiedade para sair e falam tanto de si mesmos e mantém-se ligadas nos seus interesses falando o tempo todo no celular que pouca companhia fazem ao enfermo e à família e sua presença, ao invés de se tornar um consolo para os que sofrem transmite uma desagradável sensação de que a nossa cruz é um peso para o visitante.


Pontos Práticos de Boas Maneiras sobre e as Visitas aos Doentes

Da Visita

  1. Jamais devemos deixar de visitar os nossos dontes. Soube do caso de uma senhora que sempre vivia cercada de amigas na Igreja. Quando ficou doente nenhuma das amigas vinha visitá-la. E a maior tristeza dela era, pela janela, ver aquelas mesmas "amigas" passeando no seu ir e vir para a Igreja sem jamais irem visitá-la. 
  2. Não devemos visitar um doente sem telefonar antes e sem procurar saber se as visitas estão restritas a um horário ou mesmo proibidas.
  3. Quando visitamos um doente não devemos pedir para ser levado ao doente. Esperar para ser convidado a ir até o quarto. A visita se interessa pela moléstia, mas nunca tentando obter detalhes que poderiam ofender o pudor do doente. Se muitos detalhes escabrosos lhe são fornecidos livremente, ouça com atenção e lembre-se de não alimentar o escândalo. Isto nunca. 
  4. Não ficamos muito tempo no quarto. Em média cinco minutos a menos que sejamos próximos e se solicitados, o que mesmo assim deve se transformar em apenas outros cinco minutos.
  5. Acompanhamos a recuperação de um doente até que esteja são ou faleça e não apenas a encerramos com uma única visita. Mas devemos intercalar visitas com recados telefônicos, pedindo notícias, envio de flores que devem ser acompanhados de votos de melhoras, palavras de incentivo, oferecimento para prestar pequenos serviços, etc. 
  6. A visita de pêsames também deve ser rápida. Dependendo do grau de intimidade, poderá alongar-se um pouco mais. 
  7. A visita deve ser muito breve. Mas repetidas outras vezes..
  8. Não deixe de levar um mimo: flores, revistas, livros.
  9. Dependendo da gravidade do estado de saúde do enfermo a visita vai se restringir a uma olhada ao enfermo e a conversa será mais com os parentes.
  10. Com os parentes ofereça-se para ajudar.
  11. Obedeça as instruções do hospital, dos médicos e familiares e não fale alto, evite atender ligações não relacionadas à visita no quarto do doente ou quando falando com os familiares, obedeça os procedimentos de higiene solicitados etc.
  12. Dependendo da gravidade do estado de saúde do enfermo a visita vai se restringir a uma olhada ao enfermo e a conversa será mais com os parentes.
  13. Não atenda o celular.
  14. Não fume.
  15. Não sente na cama.

Do Assunto da Conversa com o Doente

  1. Não fale alto.
  2. O assunto ideal a ser tratado com o doente são as novidades do mundo lá fora. Para quem está muito tempo preso no hospital ou num quarto as  notícias novas são um refrigério. Valem as bobagens das celebridades, notícias sobre crianças são ótimas: que ganhou medalha, que saiu, etc.
  3. Jamais traga assuntos trágicos.
  4. A visita é para o doente e para acompanhar os parentes. Não é portanto sobre você, para você sobre sua conveniência ou mesmo seus assuntos nem sobre quanto esforço você fez para estar ali. Pode eventualmente contar algo pessoal se for para o bem do doente ou da situação.
  5. Não faça conversas paralelas no quarto. Dê atenção ao doente. É para ele a visita e não um momento do seu lazer. Para quem está doente essas conversas paralelas são muito desagradáveis. Converse com os parentes nos corredores ou longe da vista e dos ouvidos do doente. 
  6. Com os parentes ofereça-se para ajudar. Se com o doente a conversa é light e sempre com um sorriso com cunho otimista, com os parentes é séria, de préstimos

O Doente

  1. O doente deve fazer todo o possível para não tornar a visita um martírio para quem o visita. É normal ficarmos fragilizados, assustado e temerosos em algumas circunstâncias da vida. Mas devemos nos esforçar para não sobrecarregar a visita com excesso de detalhes muito tristes, nem com carências descontroladas. Manter a conversa em temas o mais agradáveis possíveis é melhor para o próprio doente.
  2. O indispensável é que a pessoa recuperada agradeça logo e da maneira que estiver ao seu alcance fazê-lo. Procurar que os agradecimentos por escrito sejam feitos a próprio punho e não datilografados. 
  3. Tão logo o doente se recupere, faz-se uma última visita manifestando agrado pela recuperação, não sendo necessário – a não ser em caso de amigo íntimo – seguir o período de recuperação com rigor. 
  4. Quando voltar a boa saúde, o doente deverá agradecer as visitas recebidas durante a enfermidade e o fará de maneiras diferentes, segundo o interesse que foi demonstrado. Àqueles que enviaram cartões ou se informaram pelo telefone ou visitando poucas vezes, basta um cartão afetuoso. Aos que tomaram parte no curso da doença, uma carta ou uma visita, logo que esteja restabelecido, é a melhor maneira.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "