29 agosto 2014

Boas Maneiras: Qual a Maior Qualidade do Anfitrião?

Quando recebemos nossa família ou nossos amigos para uma reunião familiar ou uma festa tomamos uma série de providências práticas para bem atendê-los: Qual a melhor comida, detalhes de decoração e tantos outros providências práticas. Talvez até nos ocorra convidar uma moça pensando em talvez apresentá-la a um rapaz.

Mas a verdade é que a maior qualidade de um bom anfitrião é ir mais fundo exatamente nessas considerações sobre as pessoas que vai convidar. Esta é a providência mais importante que o bom anfitrião pode tomar e que é tantas vezes negligenciada em razão de aspectos puramente materiais como o cardápio, etc. Mas as coisas não podem substituir as alegrias do verdadeiro encontro entre pessoas, as alegrias do espírito.

Por isso lembramos como a providência de maior qualidade do bom anfitrião a de considerar no coração os seus convidados. Que pode fazer por eles? Apresentá-los a alguém? Colocar alguém para conversar com  um primo sobre um assunto em especial? Talvez um assunto em que possa ajudar ou pelo qual receba ajuda? Já pensou convidar um amigo com muitos filhos para que converse com um pai de primeira viagem? Talvez convidar um netinho sozinho que está de visita na idosa sua vizinha?

Diz um provérbio indiano que enquanto nossos amigos estão em nossa casa, somos responsáveis pela felicidade deles. E eles não ficarão mais felizes se o prato for nhoque ou lasanha, mas poderão encontrar o amor da vida deles, cair em si de um erro grave que estão cometendo, conseguir um primeiro emprego, etc. graças à sua atenção quem sabe.

Este é sempre um exercício de muitas virtudes porque significa sair de si mesmo e perceber os outros e de um modo mais ou menos regular e é por isto que não é fácil encontrar muitos anfitriões com esta virtude. Muito mais frequentemente encontramos os que providenciam detalhes materiais, que também são importantes, como garantir a marca de cerveja que agrada aquele tio. Mas muitas vezes até esses detalhes de "cortesia" os fazemos por nós mesmos, para nos divertirmos fazendo compras "justificadas", ou porque através dessas atenções angariamos angariar "coitadices" ou parabéns.

O bom anfitrião pensa no bem dos outros, em como pode servi-los, em geral percebendo as necessidades das pessoas e procurando ajudar sempre que tem oportunidade. O mesmo poderia ser feito por empresas prestadoras de serviço, cujo atendimento não estivesse reduzido ao utilitarismo imediatista da relação comercial, mas que fossem orientadas por um conceito mais elevado, como o de, por exemplo, buscar servir, fazer o bem através do trabalho profissional. Assim orientado, o prestador de serviço naturalmente iria treinar melhor seus funcionários, ouvir os clientes e constantemente inovar seus serviços chegando facilmente ao que há de mais avançado em prestação de serviços hoje, um dia de 2013, em que se cria para aprender.

Pontos Práticos para o Bom Anfitrião Realmente Receber Bem os seus Convidados


O bom anfitrião  deve considerar o que pode propiciar à mais para os seus amigos, não só em termos de entretenimento,  mas o que aquela pessoa precisa e que quem sabe, ele na festa possa eventualmente ajudar aquele amigo a conseguir.


  1. Quem deve sentar-se com quem, quem pode estar precisando de uma conversa com tal pessoa  por motivo romântico, de negócio, de aconselhamento.
  2. Quem precisa ser separado - por exemplo, mães possessivas de seus filhos para que eles possam brincar livremente, ou idosos chatos e egoístas que monopolizam seus acompanhantes. Quem sabe possamos trocar-lhe o acompanhante, que descansará por alguns minutos. Quem já acompanhou doentes e idosos sabe como a rotina deles pode ser monótona e cansativa e ela se estende aos acompanhantes. Um bom anfitrião providenciaria uma companhia para o idoso e o acompanhante poderia distrair-se ainda que brevemente e este é um grande auxílio que prestamos. Bastam alguns minutos. Monopolize o idoso a pretexto de falar assuntos importantes e "dispense" o acompanhante para que vá dançar uma música ou tomar alguma coisa. Isto também pode ser feito com chatos em geral.
  3. Considere também quem precisam ser atendido de modo especial, por uma razão especial: alguém de dieta, estrangeiro que não fala a língua local, jovem no meio de idosos, criança no meio de adultos, necessidades especiais, toque sobre não falar sobre morte ou tragédia com alguém porque está passando por um momento difícil, etc. Mesmo em festas jovens o bom anfitrião lembra-se mais das pessoas do que dos pratos que foram servidos, ou das diversões. Lembre-se portanto de reparar se na sua lista ou na sua casa há um idoso pode precisar descansar, se alguém está com fome, sozinho, atrasado, não sabe o caminho, não tem com quem voltar, faria um bom par, tem condições de ajudar num processo beneficente, etc. 
Esta é a verdadeira qualidade do bom anfitrião, ele considera acima de tudo as pessoas, e não as coisas. Não porque estas não sejam de algum modo importantes, mas porque sabe que os detalhes mais materiais da reunião, são meios para propiciar um bom encontro entre pessoas, e não o objetivo da festa em si mesma. 


"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "