30 agosto 2014

Boas Maneiras e os Convites

Ainda que o mundo esteja mais informal do que nunca, sentimos muita satisfação quando encontramos aqueles detalhes de delicadeza e cortesia que parecem tornar a vida mais suave e nos faz sentir mais queridos ou especiais.

Por isso, talvez fosse bom observar algumas regras de boas maneiras ao fazermos os nossos convites. Sem "amarrar" nossos convites em formalismos, estes detalhes de boas maneiras para convidar e responder aos convites da vida em sociedade talvez ajudem.


Convites - Pontos Práticos
  1. Não importa quão informal sejam as suas relações procure fazer qualquer convite com no mínimo uma semana de antecedência, nunca menos. 
  2. Só os convites muito, muito informais são feitos verbalmente: pelo telefone, pessoalmente ou por terceiros. E todos estes convites também devem ser declinados ou aceitos imediatamente. 
  3. Não fique insistindo, reprisando qualidades, oferecendo vantagens ao fazer um convite pessoalmente. 
  4. Convites informais devem ser tão amáveis que provoquem a mesma amabilidade na resposta. Nos textos de convites e respostas informais não há nada formal no modo de falar ou escrever, nem frases feitas ou lugares comuns. 
  5. Jamais se presume que um parente próximo se "sentirá" convidado e que por isso não é preciso formalizar o convite. Seja atencioso com todos a começar pelos mais próximos. 
  6. Se a família do convidado tem apenas uma filha esta poderá ser incluída no convite do casal, mas mais de uma filha o ideal é que seja enviado convite para as filhas. Claro que se pode usar o termo genérico, senhor, senhora e "família". Mas isto torna mais vago quem vai à festa. Dependendo da organização será melhor receber a confirmação mais precisa de quantas pessoas irão à festa por dirigir convites especiais também à geração mais jovem. 
  7. Convites para os membros masculinos de uma família, fora o pai, são individuais. 
  8. Convites para marido e mulher devem sempre constar do nome dos dois. 
Respostas aos Convites - Pontos Práticos
  1. Sempre responda a todos os seus convites, de preferência pelo mesmo meio pelo qual lhe foi feito o convite. O ideal seria que não fosse necessário escrever no convite "responda por favor"  o famoso "R.P.S.P." porque todo mundo seria tão educado que naturalmente sempre responde a todos os seus convites prontamente. (Lembrando: "... que aos que nasceram mudos fez a natureza também surdosporque se ouvissem, e não pudessem responderrebentariam de dor." ( Cartas do Padre Vieira ) 
  2. As respostas para convites formais devem seguir a mesma forma em que foram escritos os convites. SEMPRE se responde o mais prontamente possível.
  3. Convites formais para eventos à noite devem ser dirigidos ao casal sem se omitir o nome dele ou dela.
  4. Para cada convite uma resposta. A mãe poderá ser a encarregada de confirmar a presença de todos, esposo e filhos, mas deverá enviar uma confirmação da presença da filha se recebeu um convite individual para ela. Ou seja, todos os convites com R.S.V.P. são respondidos individualmente, não se deixa para a anfitriã ficar deduzindo que a filha de tal casal vai e que este convite corresponde àquela confirmação daquela mãe, etc.
  5. Se você foi convidada para a Igreja e depois para a festa, só por um motivo muito, muito, muito grave se deixa de ir ou à Igreja ou a festa. É sempre uma descortesia deixar de ir tanto à cerimônia como à festa.
  6. Ao responder repita claramente o dia, local e detalhes do convite na sua resposta. 
  7. Antigamente se dizia que os agradecimentos deveriam ser em papel fino branco e escritos à mão para demonstrar apreço, consideração. Nos tempos dos e-mails a consideração é principalmente por escrever um e-mail exclusivamente para agradecer e não misturado com pedidos de favor, detalhes de trabalho. Depois pode-se incluir uma foto ou enviar um cartão virtual personalizado ou qualquer outro detalhe que demonstre sincero agradecimento ou consideração por quem nos convidou.
  8. Não espere apenas pelas ocasiões solenes para agradecer: Jantares informais com membros da família, saídas simpáticas com amigas, ( verdadeiras amigas e não colegas de glutoneria ou consumismos) podem receber um e-mail simpático após o evento. Dependendo das circunstâncias não será preciso talvez formalizar um "agradecimento" já que ambos desfrutaram de um bom momento juntos, mas enviar um e-mail comentando como foi agradável ou algo assim é sempre muito cortês. Veja se alguma outra situação da sua vida em sociedade também está pedindo um agradecimento: um presente recebido, um link especial, uma entrevista de emprego, uma informação, uma aula ou explicação, etc. Não espere que as regras de boas maneiras lhe digam quando ser cortês, antecipe a regra!
  9. Toda resposta a um convite deve ser feita no presente. Não se liga para o telefone do R.S.V.P. indicado no convite para criar dúvidas, apresentar condicionais, dar explicações que sua presença irá depender de você arranjar uma babá para ficar com as crianças, etc. Para o anfitrião diga se vai ou não. Se não sabe ainda espere um dia no máximo dois para resolver o que está pendente para saber se pode ir ou não e depois ligue e diga se vai ou não, que terá muito prazer em participar do evento,  ou que infelizmente não poderá ir e que deseja muito sucesso ao evento. Fim da história.
Detalhes Importantes
  1. O cartão pessoal pode ir num convite mas não ser o veículo do convite, nem da resposta. Para o convite o convite. Idem para a resposta. Seja em papel ou meio eletrônico: o convite e a resposta são enviados especialmente para este fim e portanto não se misturam ao folheto informativo da empresa, ou ao e-mail de trabalho. Dá mais presença e força ao convite e distinção e consideração à resposta se forem individualizados e personalizados para esses fins.
  2. Um detalhe muito importante de cortesia se esconde nesta regra de boas maneiras ao convidar, aparentemente superada nos dias de hoje. Antigamente uma moça convidava um rapaz para um festa não em nome próprio mas dizendo que seus pais gostariam de sua presença. Se não existe mais essa cerimônia entre os jovens que se convidam com mais liberdade, existe sim, até hoje, uma amizade que é "assumida" frente à família e uma que não é. E até hoje a amizade que não envolve a família, o consentimento da família, o respeito pela família é uma amizade com menos compromisso. Se um rapaz não quer "subir" na sua casa, conhecer seus pais, ele não quer mesmo compromisso e provavelmente não lhe vê com todo o respeito que deve. Minha sugestão é que as jovens convidem sempre os rapazes através de suas famílias e, se eles não quiserem conhecer sua família, já não tem a disponibilidade e a cortesia que deveriam ter. 
  3. Hoje o coquetel predomina nos eventos. Ele antecede um jantar, ou o substitui. A vida social em grande medida tornou-se esse consumir canapés e bebidas. Por isso não se usa mais tanto o escrever no convite indicações como se fazia antigamente escrevendo-se do lado esquerdo do cartão "baile". Mas não deixe de indicar o que for importante. Por exemplo, se é uma festa junina, se a festa é beneficente e se é preciso levar algum quilo de alimento, ou vestir branco, use o convite para indicar isto. Ou seja, o convite deve orientar bem os convidados. Assim que a regra  na verdade não mudou, é uma necessidade da própria arte de convidar. Não é uma questão de formalidade, mas de utilidade. O que não quer dizer que possamos dispensar o bom gosto ao produzir os convites, em papéis ou virtuais. Mas isto é tema para outra postagem. 
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "