30 agosto 2014

Boas Maneiras e o Comportamento Humano

Agressividade, nervosismo, arrogância, mau humor não são compatíveis com um comportamento humano elegante, elevado por valores cristãos.

As regras de boas maneiras são uma referência de comportamento social, mas os dons, as características e grandeza de alma de cada um podem ampliar ainda mais a riqueza de uma cortesia.

É conhecido o caso de uma pessoa muito boa, uma celebridade que deu ainda maior exemplo de grandeza de alma quando, ao não chegar o avião que deveria levá-los a um determinado lugar e todos os arranjos para recebê-la frustrarem-se, essa celebridade empenhou-se com naturalidade, com muita naturalidade em tornar os momentos de espera, e logo o das providências que se seguiram, em momentos de descontração, interessando-se por todos com muita amabilidade. 

Ciente das dificuldades de seus anfitriões essa celebridade empenhou-se com sua alegria e cortesia em transformar aqueles momentos de espera e ansiedade quanto às providências, em horas agradáveis.

Quantas celebridades não reclamam prerrogativas e se tornam desagradáveis pela presunção de reclamar atenções?

Exceder a norma de cortesia conforme a grandeza da própria alma passa sempre por considerar o bem dos outros mais que a própria conveniência ou interesse. Isto pode levar à santidade. E é pela santidade pessoa que elevamos o nível humano da vida à nossa volta e não por atos heroicos que para a maior parte das pessoas nunca chega.

Ainda que a prática comercial imponha uma racionalidade bastante simplificada no trato entre as pessoas, sejam elas clientes, prestadores de serviço, chefes, subordinados, fornecedores, etc., com a intenção de uma objetividade eficiente, não podemos jamais esquecer que estamos lidando com pessoas e não com máquinas que a um simples comando executam o que lhes é solicitado. 

Entre pessoas é sempre possível, necessário e produtivo considerar-lhes, atendê-las e não “usá-las” com tratamentos ríspidos, simplificados como se as pessoas fossem apenas partes de uma engrenagem, ou objetos úteis à consecução de um objetivo comercial. Por isso, mesmo dentro da austeridade e economia prática do tratamento comercial de hoje em dia, não devemos nos esquivar dos cumprimentos, das solicitações com as palavrinhas mágicas de “por favor”, “obrigado”, ou interessar-nos pelos colegas de trabalho, etc.. Mas usar de toda compreensão, indulgência e toda caridade possível. 

Os grandes vendedores, diplomatas e negociantes, na verdade, jamais se negaram a considerar outros aspectos que interessassem aos seus clientes, restringindo-se “burramente” à somente aquilo que estava diretamente relacionado ao que desejavam obter. Se eles, os mais espertos do mundo comercial, o fazem por velhacaria, para conseguir o que querem, com mais razão a caridade deve infundir, em nosso convívio profissional, toda consideração humana possível. 

Na verdade, os melhores programas de qualidade já chegaram à conclusão que por mais que se revejam os métodos de produção, para assegurar o perfeito controle sobre a qualidade do método produtivo, chega um determinado momento em que a qualidade depende exclusivamente da ação, do modo de ser do homem que a executa. 

E, portanto, sem consideração humana, seja pelo cliente, pelo meio ambiente, pelos fornecedores, pelos acionistas, etc., não pode haver a verdadeira excelência que, para ser “top” deve ser a do tipo “humano”. Ou seja, a melhor excelência não é a da máquina, a do produto reduzido aos seus aspectos racionalmente “empacotáveis” e passíveis de caber na industrialização racionalista da economia e do lucro, mas a excelência que incluiu o que é próprio do homem, da excelência humana.

Ora, essa excelência humana é dada exatamente pelo que o homem possa por no seu trabalho de mais propriamente humano, e isto se encontra na alma capaz de amar, meio maior de exceder o que é corpóreo ou meramente material e simplesmente racional.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "