29 agosto 2014

Boas Maneiras com Subordinados de Modo Geral

A caridade cristã e as boas maneiras exigem que se respeitem todos aqueles que estão ao nosso serviço sabendo conciliar uma dose de firmeza para exigir um bom trabalho e bons modos ao fazê-lo.

Os subordinados não devem ser desprezados, destratados ou diminuidos em hipótese alguma. Há também que saber agradecer própria e oportunamente os serviços prestados.

É de muito bom tom orientar e interessar-se pelo que se passa com o empregado como pessoa humana. Também para não restringir o nosso interesse no empregado apenas à sua função como subordinado, como parte da engrenagem do serviço, o que seria instrumentalizar uma pessoa, o que é incompatível com a pessoa educada que deve ter, necessariamente, uma visão mais humana não só de todas as pessoas como das relações que estabelece. Ser considerado não nos obriga a sermos íntimos porque partilhar a intimidade é para aqueles que elegemos e não para aqueles que as circunstâncias nos colocaram mais próximos.

É importante evitar o paternalismo e ou a tirania.

Prefira chamar seus empregados com o aposto de dona, ou senhor no caso de pessoa mais velha. No caso das crianças com "menino" Fulano pode ser empregado.

Devemos evitar abusar dos empregados sobrecarregando-os com nossas preguiças e acumulando-os com tarefas que nós mesmos deveríamos ter feito. Não existe "distinção" alguma em ser incapaz de lavar a louça do jantar e deixá-la para uma diarista que venha no dia seguinte e que, provavelmente, acordou às quatro da manhã para apanhar um trem lotado ou andou alguns quilômetros antes de pegar a condução. Faça a sua parte sempre. Não ser dependente de outros para realizar as tarefas mais pessoais é, em muitos países, sinônimo de qualidade humana. Em países de longa e vergonhosa tradição escravista é que o hábito de depender dos empregados para as coisas mais simples permitiu a dissimulação da preguiça em "ocupações", trabalhos "intelectuais", "mais o que fazer", para não citar outras desculpas ainda mais atrozes desta preguiça disfarçada de elitismo.

Jamais devemos exigir ou incentivar atitudes de servilismo dos empregados, ou favorecer neles a dependência financeira ou emocional, o deslumbre - quer por bens materiais quer por fantasias românticas ou sexuais, ou sentimentos de inferioridade, insuficiência, incompletude ou de menor valia como pessoa. Ou qualquer outro sentimento de manipulação porque isto seria sinônimo de sermos pessoas de mau caráter.

Um serviço jamais é uma humilhação. Por isso não devemos desenvolver nenhum tipo de vergonha ou "complexo de inferioridade" por causa do trabalho que desenvolvemos. 
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "