07 julho 2014

Educação: O que é Concuspiscência?



A concupiscência é o desejo desordenado dos bens. Tudo que existe deveria ser desejado e utilizado para o bem maior e não como um fim em si mesmos. Por isso os bens devem ser amados conforme uma ordem que seria natural à vida humana. O desejo deve ser moderado, de bom senso, conforme o fim a que se destina. A concupiscência é o desejo imoderado.

Concupiscência dos Olhos 

É deixar-se atrair de modo exagerados pelos bens terrenos, é o consumismo. É avareza, apreciar apenas o que se pode tocar. Apreciar as pessoas apenas pela sua utilidade.  A vida material não é o fim último do homem. Esse materialismo exagerado pode levar a excessos, ao ateísmo, que é a insensibilidade para o divino, tal o aferrolhamento no mundo material.Ter cada vez mais, querer cada vez mais. 

Concupiscência da Carne: Buscar do mais fácil, o mais agradável, a sensualidade. Desenvolvem-se uma série progressiva de pequenos e grandes vícios. Desde a preguiça de cumprir os deveres mais cotidianos até a depravação mais baixa da carne. O caminho mais curto, o mais prazeroso é o que anima quem se deixa levar pela concupiscência da carne. Quanto mais prazeres melhor, quanto mais cômoda a vida melhor. A mola da vida é o prazer e não o dever, o amor, a missão. 

Se é gostoso sim, se dá trabalho não. Ou se se realiza a tarefa são necessárias muitas consolações, doce, aplausos para que se cumpra uma tarefa cotidiana como lavar a louça ou fazer o dever de casa. Surgem os falsos dramas, a vida familiar se torna um inferno por pequenas coisas. Também os levados pela concupiscência da carne confundem sexo com amor. Amar vira sentir prazer. E assim o homem ou a mulher abandonam a família, os filhos por não sentirem mais prazer. A família não é mais importante e isto se perde para amantes, orgias, casos, etc. 

Quando surgem sacrifícios ou dificuldades abandonam-se os filhos, a família, as obrigações. Esse é o amor sensível, sensual, da gostosa do pedaço, do bonitão. Jamais desenvolvem a amizade profunda de almas humanas que se amam, tudo é superficial e condicionado ao ter ou não satisfação. Neste caso se vive em função dos sentidos: não se quer o bem por si mesmo, mas se quer a si mesmo através do prazer que o outro lhe dá.  Não se quer o bem gratuitamente, seja para os filhos, para o cônjuge, mas para si mesmos. Naturalmente a isto se segue a insensibilidade moral que institucionaliza e naturaliza os comportamentos mais pervertidos.

Concupiscência da Alma: Orgulho, soberba da vida, vaidade, exibicionismo externo. Viver pendente da pressão social, querer ficar bem a qualquer custo frente à sociedade. Não se trata de pensamentos efêmeros de vaidade, mas de desprezar tudo e todos em nome do próprio entendimento. 

É querer dominar os demais, querer ser superior aos demais, querer as coisas e as pessoas girando em torno delas. Esta é uma forte fonte de debilidade: o querer ser o centro de tudo. O orgulho tenta destronar até Deus. Esta atitude enfraquece a nossa inteligência e a  nossa vontade. A vontade fica autônoma, não queremos nos guiar nem por Deus, nem pelos homens. E esta é uma autonomia perigosa, porque leva ao vazio de vida, à mediocridade. Com esta atitude, não dependemos de ninguém, temos uma moral própria, respeitamos pouca coisa.

A pessoa com concupiscência da alma quer dirigir a própria alma de forma absolutamente autônoma como se não tivesse vocação, uma missão, como se fosse Deus.

O destino que Deus projetou para nós e que está expresso nas nossas circunstâncias, possibilidades, dons e talentos, perde a importância para a pessoa com concupiscência da alma. Neste caso vivemos em função de nossas própria ideias, totalmente sós e caminhando para o vazio, ao invés de nos enriquecermos o que a vida nos pede. Só queremos seguir o próprio caminho. 

O que Fazer Para Redimir os Males da Concupiscência?

Não devemos ter uma visão pessimista mesmo tendo todas essas tendências. Não podemos olhar para a nossa natureza humana, criada por Deus, e ver apenas problemas. É preciso amar-se e rezar sem desfalecer. 

Para a Concupiscência dos Olhos a Filiação Divina é o remédio. Os bens são para nossa administração. É assim que devemos ver os bens materiais, como algo para servir a um propósito maior e não um objetivo em si mesmo.

Pensar no nosso bem, da nossa família, da humanidade, na fraternidade universal das gerações futuras, encontraremos a prudência para considerar o valor real de mais um celular, mais uma vez fazendo compras.

É preciso, portanto,  desenvolver um desejo ordenado de possuir bens pensando não só no próprio conforto e da família, mas também nos necessitados, no meio ambiente. É preciso considerar e suprir as carências materiais e espirituais dos necessitados.

O que enfraquece quem é levado pela concupiscência dos olhos é ficar na pendência desordenada dos bens materiais.

Além de considerar a necessidade material própria e dos outros lembrar de ter consideração sobre as necessidades espirituais própria e alheias para não viver só no mundo material espiritual.


Para a Concupiscência da carne, amor ao sacrifício, à cruz, por amor. Cristo de braços abertos na cruz nos indica um amor até o sacrifício da cruz como fórmula da redenção humana.

Cada vez que cumprimos nossas obrigações que nos custam um pouco mais, na vida cotidiana mesmo, acordar na hora certa, fazer o dever de casa, não enrolar no trabalho estamos edificando a vida em sociedade, por afogar o sacrifício em cumprimento diligente de amor. A força da cruz é a força do amor. 

Quando não nos enterramos em nós mesmos, na procura do prazer somos mais "gente", mais facilmente vemos horizontes mais nobres.

Devemos viver gestos de amor muito concretos. O amor é um bem feito para o outro. Não ter medo do pequeno sacrifício diário um vez, passar muita roupa por exemplo, não é heroico, mas fazer isso toda uma vida, sem buscar aplausos, para o bem dos filhos, é heroico. Pode ser oferecido a Deus como uma oração, como algo que deu sentido à vida. O esquecimento de si próprio para servir aos outros é caminho de grandeza pessoal. 

Buscar a felicidade alheia, este é o segredo. A essência do cristianismo é o amor e o amor se prova no sacrifício que se faz. A primeira cruz é o esquecimento de si mesmo. Aceitar o frio, o calor, o engarrafamento sem distribuir isto em mil reclamações ao longo do dia é um nobre sacrifício que se faz pelos outros. E se cotidianamente, santificará a vida em sociedade.  Não se desesperar pelo insosso para procurar o excepcional que é fogo fátuo, sem valor de eternidade.  

Muitas vezes a preguiça para realizar os deveres vem de não se ter limites com as coisas sensíveis ou prazerosas. Como custa lavar a louça depois de horas no computador! Nada de ficar mais um pouquinho, nada de outro sorvetinho, nada de vídeo game: ao trabalho, já, rápido, sem delongas. Ter sobriedade pode ser uma cruz, mas dá muita força ao caráter. 

Como é forte uma pessoa que sabe se controlar nesses apetites! Saber aceitar o que tem que fazer sem adiamentos e conter-se nas compulsões por prazer, por amor.


Para a Concupiscência da Alma o remédio é unidade de vida. Estar muito unido a Deus e ao próximo. Não separar a vida humana da vida da graça. Procurar ter e manter a coerência entre o que eu vivo e o que eu digo. Não separar ideias, ideais de ações. Não ter um comportamento na igreja e outro no trabalho. Em nome do lucro, corromper-se, maltratar subordinados. Obediência é outra manifestação de unidade de vida. A obediência fortalece. O homem que se basta a si mesmo, que não obedece se enfraquece porque não está inserido no processo. 

Portanto para purificar estas três concupiscência: fraternidade, amor à cruz e unidade de vida. Vencendo a concupiscência desenvolveremos nossa natureza humana em graça por nos apoiarmos em Deus. Afinal, muitas das nossas deficiências, não são essas carências externas: um automóvel, um diploma, mas carências internas, de categoria humana para não nos arrastarmos na lama. Para todas temos que contar com a força de Deus. 
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "