24 julho 2014

Boas Maneiras: Quando Pedir Desculpas?



  1. Devemos pedir desculpas todas as vezes que nosso comportamento ou nossas ações prejudicaram ou incomodaram os demais. 
  2. Devemos pedir desculpas não de forma genérica ou simplificada, nem com sons ou meneios apenas. Devemos falar claramente " - Desculpe ter esquecido o nosso aniversário." e não apenas 
  3. " - IIIhh, cara é mesmo..." 
  4. Reconheça a chateação, incomodo ou mágoa bem como a verdadeira repercussão do seu equívoco. Dar a justa medida é importante para pedir desculpas porque clarifica o seu próprio pensamento e o ajuda a dar mais força às suas desculpas. " - Lamento ter esquecido o seu presente. Eu sei que você estava contando com ele. Você tem toda razão de estar zangada. Me desculpe. Vou trazê-lo amanhã."
  5. Não deixe de cumprir a promessa que fez,  ao se desculpar,  e pela qual espera compensar o seu dado. 
  6. Não faça promessas que não pretende cumprir. Se suas desculpas são habitualmente seguidas de promessas não cumpridas suas desculpas não tem valor. E se nossas desculpas, o que falamos não tem valor, igualmente passamos um recibo de que não nós mesmos não temos valor. 
  7. Peça desculpas prontamente. E não demonstre dificuldade em fazê-lo por apresentar mil justificativas e explicações para o ocorrido. O maleficio que causou pode ter sido involuntário, mas é mais nobre assumi-lo de imediato.  No trabalho por exemplo, se o chefe lhe diz que tal trabalho está mal feito, preste atenção no que ele diz: se há fundamento aprenda e melhore, se não há esqueça. 
  8. Algumas pessoas ficam magoadas ou com raiva quando se lhes exigem desculpas. Isso é agir de forma primitiva, pelos hormônios. Todos os seres humanos podem cometer erros e o mais nobre é reconhecê-los e se desculpar por eles. Sem problema. Não é nunca errar que nos dará valor, porque isso é impossível. O nosso valor já nascemos com ele, ninguém o pode tirar. Mas acrescentamos muito ao nosso modo de ser e ao nosso aprendizado e à qualidade do serviço que prestamos se pedimos desculpas e corrigimos prontamente nossos erros. 
  9. Às vezes não somos culpados e nos culpam. O perdão imediato para quem nos exige desculpas indevidas, a vontade de perdoar imediatamente, mesmo que o sentimento de mágoa ainda esteja sendo sentido, tira o rancor do nosso coração e clareia nosso entendimento e nossa ação a respeito. 
  10. Explicações não são pedidos de desculpas. Quando substituímos as devidas desculpas por explicações estamos mais preocupados conosco mesmos do que com aquele a quem prejudicamos. Por isso não substitua um claro e completo pedido de desculpas por mil explicações de como o fato ocorreu, ou sobre suas circunstâncias e dificuldades. Elas podem ser prestadas, mas as explicações vem depois das desculpas e às vezes não são necessárias se são só para falar de si mesmo.
  11. Devemos pedir desculpas prontamente mesmo que não tenhamos entendido como magoamos ou incomodamos uma pessoa. Isto demonstra respeito pelo sentimento dos outros.
  12. Devemos pedir desculpas imediatamente após o mal que causamos mesmo que não concordemos que causamos o mal. Pedem-se desculpas e, depois, se for necessário, procuramos esclarecer nosso ponto de vista. A ideia das desculpas é exatamente a de eliminar o mal que causamos a quem magoamos e não um meio de nos justificar ou defender de acusações indevidas ou não. 
  13. Não se pedem desculpas pelo que não há para se desculpar como ser mais rico, mais culto e estar entre pessoas que não o são. Não se pedem desculpas por causar mais trabalho daquele que é o serviço do outro. Por exemplo, se recusou um pedido no restaurante não peça desculpas por isso.
  14. Devemos evitar essas situações nas quais mais facilmente podemos ofender aos demais como fazer piadas e gozações nas quais colocamos os outros, uma raça, um credo, etc., na berlinda. Devemos evitar toda forma de preconceito e ter sempre uma postura de respeito aos demais e a tudo que existe. Evite remoer ressentimentos e maus pensamentos e alimentar presunções que estão sempre na base dessas ofensas por termos preconceitos ou por nos considerarmos muito melhores do que os outros.
  15. Aceite que suas atitudes podem ter magoado alguém. Se realmente causou um mal além de pedir desculpas faça todo o possível para reparar ou compensar o mal. Se amamos não queremos o mal de ninguém, muito menos causá-lo e por isso nos interessamos em reparar o mal.
  16. Mas pedir desculpas não é uma forma de servilhismo, de ser inferior. Tenha a mesma dignidade para pedir desculpas que tem para receber um elogio.
  17. Ao pedir desculpas não faça insinuações para desviar-se das desculpas que deve prestar. Peça claramente desculpas e assuma o seu erro sem fazer insinuações ou culpar o ofendido. Estas atitudes além de demonstrar covardia tiram todo o valor das desculpas.
  18. Assuma prontamente seus erros e não tente responsabilizar os outros por eles. Se for chefe saiba que tem parcela de responsabilidade pelos erros dos seus subordinados. Por exemplo, um lar desordenado não é culpa da faxineira, mas da dona da casa. Assuma suas responsabilidades. Ensine seus filhos a não ter medo de assumir seus erros. 
  19. Não seja super sensível que tudo o ofenda. Isso é vaidade e é colocar-se acima de tudo e dos demais.
  20. Assuma a responsabilidade por seus atos integralmente. Não se dê desculpas, não diminua a importância do mal que causou mas peça desculpas pelo que fez e sinceramente se arrependa. O maior beneficiado é você mesmo porque assumir os próprios erros é um dos mais importantes passos para a posse de si mesmo.
  21. Sempre peça desculpas pessoalmente. Caso seja necessário mandar um esclarecimento por escrito isto não dispensa a apresentação das desculpas pessoalmente. 
  22. Para um pessoa fina e educada não existem erros "menores" que não precisam ser desculpados. Isso é covardia dissimulada. Devemos evitar erros grandes e pequenos.
  23. Para Deus também pedimos desculpas. A Confissão Sacramental freqüente é o melhor meio de estarmos conscientes de como somos e do que devemos melhorar.  

    Perdoar é divino

    1. Se perdoam rapidamente as ofensas e não se ficam exagerando as conseqüências, revolvendo, procurando significados, dizendo o quanto nos custou a ofensa.
    2. Aceite as desculpas que lhe pedem prontamente. Não crie constrangimentos desnecessários para quem pede desculpas, não chame "platéia" para envergonhar quem pede desculpas. Mas isto não significa que em casos mais sérios não se converse e se esclareça bem o que houve. 

    Questões sérias

    Não podemos confundir as situações sociais em que ocorrem fatos que nos magoam e que devemos perdoar evitando fazer delas grande coisa com aquelas  situações de abusos e de total falta de respeito nas quais somos maltratados. Não é amor aos pais, aos esposos, aos filhos certos relacionamentos abusivos. Precisamos perdoar, mas isto não quer dizer consentir com situações de abuso, de bulling, de assédio sexual ou psicológico. 
    1. Você é obrigado a perdoar, mas não é obrigado a conviver com quem o ofende gravemente ou não lhe tem respeito.
    2. Não se aceitam relacionamentos baseados em mentiras não importa quantas desculpas são pedidas. 
    3. Devemos amar os outros como a nós mesmos e não mais que a nós mesmos. Não aceite relacionamentos abusivos nem que venham com mil "vantagens" e constantes pedidos de desculpas. 
    4. Não minta sobre seu papel num relacionamento que lhe faz mal. Você está colaborando com a situação de abuso por falta de auto-estima, de situação de dependência, peça ajuda. Já. 
    5. Esteja sempre muito perto de Deus e saiba o caminho que Ele lhe indica. É o melhor meio de evitar abusos.
    "Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "