24 abril 2014

Boas Maneiras e as Despedidas

A pessoa educada é necessariamente uma pessoa sensível para com os demais e as circunstâncias à sua volta. Além disso, a caridade cristã que a move a faz interferir de modo humano e carinhoso nas situações cotidianas da vida em sociedade, em especial naquelas em que possa haver  mais necessidade de atenção e carinho em razão dos sentimentos em jogo.

No caso das despedidas, elas podem ser aquelas simples do dia a dia de pessoas que possivelmente vamos rever em breve ou podem envolver mais "drama" humano. E por isso as boas maneiras também nos pedem atenção especial na hora das despedidas.

Dicas de Boas Maneiras nas Despedidas

Qualquer despedida não dever ficar sem resposta: responda sempre com um “- Até logo.” pelo menos. Por incrível que pareça muitas vezes nos esquecemos de responder a um adeus cotidiano. 

Também podemos dar atenção ao momento e nos despedir com deferência ou mais carinho. Se puder diga algo delicado como “ – Espero vê-la outra vez.” Ou ainda “- Foi bom conhecer você.” Dê os beijinhos de praxe ou o aperto de mão se acabou de conhecer a pessoa ou é um relacionamento profissional ou mais formal. (Veja as postagens sobre apresentações para ver quem tem a primazia do gesto de estender a mão etc.)

É claro que as situações variam. Uma despedida de um parente ou vizinho que vamos ver em poucas horas ou dias é uma despedida mais simples, mas nem por isso indiferente, responda sempre e com um sorriso. Mas se é um amigo que vai de vez para o outro lado do mundo, talvez você queira proporcionar-lhe uma despedida com uma pequena festa com os demais amigos, fazer-lhe um álbum de recordações, dar-lhe um presente, qualquer coisa que o faça sentir querido na despedida.

Mesmo que muitas emoções venham à tona, o cuidado com a despedida contribui para solidificar o que somos e como sentimos os nossos relacionamentos além de clarear nossos sentimentos para nós mesmos. Nunca devemos fugir do que a vida nos oferece e do que sentimos. Muitos dos nossos problemas vem exatamente da alienação do que somos e sentimos. 

Não se pode a pretexto de dificuldades para dizer adeus deixar de manifestar carinho e apreço pela pessoa que parte. 

No caso das viagens de férias de parentes leve-os ao aeroporto, ou passe antes da casa deles para se despedir, mas sempre se manifeste. Se for o caso, dê algum dinheiro para o sobrinho que vai de férias gastar no seu passeio, ou dê qualquer coisa útil.

Despesa-se bem e receba bem

Do mesmo modo receba bem as pessoas. O grau de amizade e parentesco vai determinar a recepção e a atenção no que se refere a cuidado e detalhes mas não deixe o comodismo e a "praticidade" tornarem frios os seus relacionamentos.

É uma forma gentil de alimentar a amizade, quando se volta de férias reunir a família para ver as fotos, saber as notícias. Quando os jovens são assim recepcionados, por exemplo, de sua viagem à Disney, por toda a família que se reuniu para ouvir como foi a viagem se sentem muito prestigiados e isso consolida caráter. Quem não se sentiria prestigiado com uma boa acolhida? Por isso não perca oportunidades de despedida e recepção para aprofundar os laços de família e amizade. Não faça porém seus parentes verem mais do que no máximo 36 fotos ou alguns minutos de filme.

O objetivo não é ver todas as fotos - isto é muito cansativo - mas reunir, congregar se divertir. Tenha um lanchinho, ouça no máximo três histórias da viagem, distribua as lembrancinhas se houver, senão a atenção com os detalhes deste lanche recepção vai servir, e encerre. Sua recepção de boas vindas pode durar mais tempo mas não exija a atenção para o seu assunto da viagem por mais de trinta, quarenta minutos no máximo, entre contar peripécias, ver filmes e fotos. Em seguida promova a participação de todos e outros assuntos. Mas enquanto a vez seja a do viajante falar dê toda a atenção: não fale das suas viagens, experiências, não atenda o celular, etc.

A despedida dos mortos também deve ser vivida  com o máximo de consideração: deve-se ir ao enterro, à Missa de Sétimo Dia, prestar condolências a família, etc..
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "