24 abril 2014

Boas Maneiras: Cumprimento a quem não fui Apresentado?

É curioso como o comportamento social muda com o passar do tempo. Nestes últimos séculos ganhou novos "avanços".  Os modismos, as ideologias, as "descobertas científicas" parecem justificar como avanço certos comportamentos que são simples conveniência egoísta. 

Nesse contexto a informalidade ganhou ares de suprema lei. Não é preciso respeitar convenção nenhuma, só é preciso seguir as conveniências egoístas. Até o vandalismo mais violento quer posar como expressão pessoal. 

É claro que nessa onda "moderna" até os relacionamentos mais profundos e mais íntimos sofrem simplificações que nos empobrecem e aos próprios relacionamentos. Famílias e filhos não raro são hoje uma questão de conveniência material ou utilidade emocional. Assim os relacionamentos humanos tornam-se cada vez mais uma questão de gosto, de estar a fim, de querer "se realizar" mesmo que a custa do bem dos filhos, etc.Relacionamentos sérios, profundos, para toda a vida, aceitação de todos os filhos, de viver juntos na velhice, de não trair,  são verdadeiros "fanatismos religiosos". 

Dizia-se antigamente que uma pessoa que você viu numa casa de um amigo comum, mas à qual você não foi então apresentado, caso viesse a encontrá-la na rua, não havia necessidade de cumprimentá-la.  E isto porque o cumprimento só é devido à uma pessoa conhecida, e sem a apresentação, você não era conhecido daquela pessoa. 

Há nesta referência uma clara consciência do laço social, da obrigação que se dá ao apresentar uma pessoa à outra, ao dar à conhecer uma pessoa a outra. Se você não me foi apresentado, ainda não tenho parte contigo. Hoje casamos, temos filho e mesmo assim descartamos tudo isso por uma colega de trabalho mais disponível. 

É claro que houve uma época em que a apresentação social por uma pessoa podia significar um emprego, uma indicação, etc. então o "jogo das apresentações" era bem importante. E hoje?

Numa sociedade em que os relacionamentos mais sérios como os da família são tratados tão futilmente com traições e separações movidas por motivos fúteis, será que realmente sabemos dar valor à quem conhecemos?

Quando você é apresentado à alguém, o que vê nessa pessoa? Um outro Cristo? Um irmão? Alguém a quem deve servir? Um chato que está tomando o seu tempo de estar na Internet? Alguém de deve bajular para manter o emprego? Não sejamos ingênuos de oferecer o melhor de nós mesmos a qualquer um, mas isto não é desculpa para que sejamos parte do problema. 

A maior prova de boas maneiras está em dar valor ao outro. Por grandeza pessoal e não por utilitarismo de ocasião. Pense o que vê você nos demais? 
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "