16 maio 2013

Boas Maneiras no Museu

Cada vez mais os museus vão se transformando em centros complexos de atividades culturais. Muitos deles oferecem hoje, além do serviço de exposição do acervo e conservação do patrimônio físico e imaterial da nossa sociedade, uma vasta gama de serviços em prol da promoção cultural em geral. Devemos colaborar com os museus em conservar e promover a cultura. Praticar algumas regrinhas de boas maneiras é uma forma bastante concreta e cotidiana de colaborar.

Boas Maneiras
  1. Não coma nos locais de exposição ou nas dependências que não sejam projetadas para isto, como as "Coffee Shops" e lanchonetes. Em alguns museus é permitido lanchar nos jardins ou parques. Se fizer isto não deixe nenhum lixo no parque. Recolha tudo e coloque na lixeira. Se não encontrar uma lixeira próxima, leve o seu lixo em sacola plástica até encontrar onde possa deixá-lo. A proliferação de baratas e ratos nos museus é especialmente danosa. 
  2. Não toque nos objetos em exposição, nem danifique as instalações. Não sente ou apóie-se onde o local não foi projetado para isto. Por exemplo, apoiar o solado de um dos sapatos para encostar na parede, sentar-se em mesas, esculturas, muretas e jardineiras. Sente-se nos bancos. Não pise na grama. A conservação, por todos, das instalações do museu é do nosso próprio interesse.
Atitude
  1. Algumas pessoas estão só passeando no museu, poderiam estar no shopping vendo vitrines ou diante de uma obra prima parecem comportar-se de igual forma. Talvez por isto não percebam que muitas pessoas à sua volta estão pesquisando, aprendendo, se encantando com o que estão vendo, ou tentando completar pesquisas e fazendo indagações interessantes para o próprio desenvolvimento pessoal, para citar alguns exemplos. Por isso "controle os cavalos" da expansão de euforia, não corra pelos corredores e nem converse como se a exposição não existisse.
  2. Mesmo que você não goste da exposição, ou não a compreenda, tenha consideração por todo o trabalho e gasto ali investido para que você conheça mais. Não aja insensivelmente ao que está sendo exibido. Muitas pessoas passam sem realmente ver nada. Ignorar é o caminho para não conhecer, não gostar e continuar fechado em si mesmo. 
  3. Isto geralmente é fruto de opções pessoais pouco meditadas em oração principalmente e não da qualidade da exposição. Antes de ir ao Museu informe-se um pouco sobre o que verá lá e certamente vai apreciar mais a exposição. Esta iniciativa convém a qualquer evento cultural. Aprender é sempre uma grande alegria. 
  4. Não fique reparando no jeito de vestir, falar, ser dos outros. Você está ali para apreciar e aprender e não para medir-se com os outros quem sabe mais, ou é mais informado, etc.
Como vestir-se para ir ao Museu, ou melhor, como não vestir-se para ir ao Museu
  1. Vista-se apropriadamente. Sempre. Lazer não é o mesmo que lavar carros ou ir correr na praia. Pense duas vezes antes de ir ao Museu com shorts que noutros tempos eram cuecas chamadas "samba-canção" e camiseta branca. Não acredite em tudo o que diz a moda. Eles precisam vender é assim reviram padrões a cada estação para nos fazer consumir. 
  2. Tenha certeza que as peças não mudam o seu caráter por decreto: aqueles shorts e a camiseta foram e sempre terão "espírito" de roupa de baixo. Portanto você está quase nú no Museu. Faltou colocar o resto da roupa. Assim como o jeans transmitirá sempre a informalidade das minas de carvão de onde se originou, os shorts ou bermudas são roupas de criança ou trabalho braçal. 
  3. Se você é, por exemplo, baixo, de compleição mais "forte" especialmente na linha da cintura, talvez de pernas peludas, e optou por continuar a usar o tênis do dia a dia, meio enegrecido, e está usando cuecas samba-canção porque a moda declarou que elas foram promovidas a shorts que o deixarão parecidos com Brad Pitt não acredite. 
  4. Talvez queira reconsiderar também, para ir ao museu, aquelas bermudas compridas até a metade das pernas com estampas fluorescentes que assustariam lobisomem à noite. Acompanhar uma dessas opções com camisetas brancas de malha fininha, fininha, agora mais depois da primeira ou segunda lavada (afinal você gostou dessa roupa que na sua imaginação, alimentada pela mídia fashion, o fez sentir-se parecido com o Brad Pitt. Mas talvez você deva pensar que talvez a estatura, ou o seu preparo físico não sejam exatamente iguais ao modelo da revista). Se você insistir num desses "looks" está mal vestido para ir ao museu. Reconsidere. 
  5. Mulheres. Não façam uma coisa para querer outra. Viva o aqui e agora e se desenvolvam como seres humanos sensíveis que são, de forma sincera. Crescer como pessoa é a suprema beleza. Por isso faça do seu passeio ao Museu ou exposição de arte uma oportunidade de desenvolver-se e não de exibir-se.
  6. Chinelas de dedo de borracha como padrão universal de vestimenta para os pés é a glória apenas para os investidores dos fabricantes. Afinal quem não gostaria de vender seis bilhões de pares de chinelos? É isso que a quebra de certos paradigmas proporciona: mercado. Mas se seu pé fica imundo, desprotegido e sem apoio que pode lhe causar lesões, isto não importa muito nos índices de lucratividade e expansão. Bermuda e chinelas de borracha são para ir à praia ou lavar o carro. Não são trajes apropriados para o museu. Mais uma vez, não acredite que seja bom para você tudo o que a moda o quer fazer consumir.
Demonstrando consideração pelos demais
  1. Não anuncie que não gostou da exposição fazendo disso o tema central da conversa com os amigos. Na conversa sobre a exposição ou qualquer passeio seja cordial e afável, ouça com atenção as diversas opiniões, promova a conversa rica, não esquive de participar. Nossos valores estão orientando nossas maneiras e aqui cabe lembrar o valor das nossas palavras para construirmos relações melhores e mais saudáveis. Não desperdice o tempo com comentários superficiais ou insinceros. 
  2. Também se você conhece um pouco mais do assunto não imponha seus conhecimentos aos outros se transformando no "guia turístico" do grupo pelo mundo de sua cultura que pode, perto de algum dos presentes, não chegar a dois quarteirões de largo. 
  3. Nem anuncie o seu deleite com a ária da ópera que acabou de ser cantada, por exemplo. Chances há de, apesar de você imaginar ser o único a deleitar-se tão profundamente, na verdade não passa de um bobo querendo se anunciar. Não querer incomodar desnecessariamente, porque às vezes ocorre de incomodarmos sem querer, é a primeira disposição da pessoa educada.Você ainda fuma? Não fume no Museu. Pelo seu bem não fume nunca mais. O último cigarro foi aquele que passou e não este que você quer fumar agora. No caso de um incêndio no museu, as perdas podem ser irrecuperáveis.
Muito Importante
  1. Não tenha dúvidas quanto à importância de colaborar com boas maneiras no museu. Muitas exposições itinerantes, que envolveriam valores de seguros muito altos, simplesmente não cogitam ir onde certas normas internacionais de segurança não são conhecidas ou respeitadas pelo que isto possa implicar de risco aos seus acervos. Ou porque os curadores, dessas exposições, receiem não serem as obras devidamente apreciadas por motivos de ignorância dos temas ou de falta de sensibilidade do público às expressões artísticas apresentadas que só serão vistas como "programa de domingo". 
  2. Não roube nada. Nunca. Se não tem certeza de que pode levar um folheto ou uma amostrinha, pergunte. Não pressuponha nada. 
  3. Não trapaceie em nada como pular cercados ou fazer caminhos outros para não pagar ingresso. Pense que o seu ingresso é um recurso importante para conservação daquele patrimônio e fique satisfeito em colaborar. Por mais rico que seja a instituição (se existirem serão pouquíssimas) a maioria sobrevive com dificuldade na luta pela conservação de patrimônios porque isto é sempre muito dispendioso. Colabore. 
  4. Não carregue bolsas grandes e material desnecessário ao museu. Não leve, para as exposições animais. Aceite as normas da casa e coloque os objetos onde lhe for solicitado. Ficar mal humorado com o atendente que exigiu que você não levasse sua mochila para a exposição não mudará as regras internacionais reconhecidas como necessárias para a maioria dos museus, só porque você não gostou do que lhe solicitaram. Mas é claro que qualquer comportamento abusivo deve ser reportado devidamente as autoridade competentes e de forma eficiente. O que não tem nada a ver com bater-boca com o guardador de volumes. 
  5. Veja tópico sobre boas maneiras no banheiro do Vida em Sociedade. 
  6. Não leve, para o museu, aparelhos musicais. Coloque o celular na opção silencioso e se tiver que atender seja discreto. 
  7. Fotografar e filmar são geralmente proibido porque a luz pode acelerar determinados processos e prejudicar a conservação do patrimônio. Mas em algumas situações é possível fazê-lo. Pergunte antes de começar a fotografar. Não insista caso o museu não permitia fotografias, tentando usar seu celular. As normas do museu existem porque são meios considerados importantes para a conservação do acervo. Colabore. Respeite a distância estabelecida para aproximar-se das obras. Pode ser uma fita adesiva amarela no piso ou cordões de isolamento. Não os ultrapasse. Respeite a vez de quem está vendo a obra do ângulo que você gostaria. Se a exposição estiver muito concorrida compreenda e aceite que não poderá ver tudo ou com a tranqüilidade que gostaria. Não se aborreça tanto por isso a ponto de fazer escândalos e tornar o passeio dos outros desagradável. Colabore com o andamento da fila, na entrada, em frente à obra, ceda a vez a idosos, etc. 
Crianças
  1. Se você está visitando o museu com as crianças fique de olho nelas para que não se machuquem envolvendo-se com os objetos da exposição. Exija delas as boas maneiras. Explique-lhes, antes de irem ao museu, o que você espera delas de forma clara. Você se surpreenderá como elas têm até prazer em colaborar quando lhes é explicado o porquê de respeitar as normas do museu.
  2. Eduque seus filhos no hábito de freqüentar museus e bibliotecas. Converse sempre com eles de forma interessada em se desenvolver culturalmente e não proponha a visita ao museu ou exposição como apenas mais uma "programa de domingo", igual em sua apreciação em tudo não importa onde se tenha ido ou visto, comer e gastar fossem as supremas e únicas alegrias. Talvez você depois de uma semana de trabalho esteja querendo relaxar, mas seus filhos estão precisando do seu exemplo. Vai valer a pena o esforço. 
    "Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "