29 janeiro 2013

Boas Maneiras e Independência dos Jovens


Quando se é criança os pais, e principalmente a mãe presta, necessariamente, ao filho, uma tarefa de apoio e serviço simplesmente porque o bebê não “alcança”, não sabe, etc.

Os pais sempre se preocuparão com seus filhos, mas é preciso que o apoio que prestam em cada fase da vida seja diferente. 

Ou seja, se já temos condição de apanhar um copo de água na geladeira – jamais o solicitamos à nossa mãe fazendo-a de nossa serviçal. Algumas mães vêem nesse serviço quase que uma razão de ser de suas vidas, mas não é bem assim. Para bem educar é necessário também ensinar a ser independente. Isto é uma capacidade que se dá ao filho, uma qualidade a ser adquirida e que se deve começar a ensinar desde muito cedo em família. 

Ensinar os jovens a assumir suas responsabilidades, a ter auto-domínio e a adquirir os conhecimentos necessários para a atuação independente em sociedade, deveria ser parte da educação recebida no lar e não algo que se espera que o filho desenvolva repentinamente quando já está entrando no mercado de trabalho. Alguns jovens só conhecerão a auto-disciplina ou no serviço militar ou depois de muito se magoarem em seus primeiros empregos. 

Ou seja, tudo que nos diz respeito, à medida que o possamos fazer, não devemos depender dos mais velhos ou dos empregados para fazer. Procure desenvolver sua independência, primeiramente mostrando ter responsabilidade por não se encostar sistematicamente nem na empregada, nem na mãe ou na esposa, ou na empregada, ou na estrutura do lar. Faça mais do que é esperado se lhe é possível. Procure na vida ter sempre crédito e não débito, não importando se no momento parece que está perdendo. A estreiteza, mediocridade e limitação de algumas vidas esta presa, exatamente a esse fazer somente o que é necessário, o que tem retorno ou pagamento. 

a. Mantenha o seu quarto e as suas coisas em ordem. Colabore com o serviço doméstico sem que lhe tenham que pedir. Faça suas lições de casa sem que lhe tenham que pedir ou vigiar.

b. Participe das necessidades da casa auxiliando onde for preciso e não vendo a estrutura montada de sua casa como meio de servir-se dela. Um lar não é um hotel. Procure interessar-se pelas necessidades de todos e veja como pode colaborar seja com um pequeno serviço, seja dando atenção, fazendo companhia, escutando. O que de mais importante se pode dar não é caráter material, que é o amor e isto ainda que possa levar ao auxílio material se vem se amor não gera necessariamente o bem. 

c. Não faça o que sabe que desagrada aos outros, como barulhos, pegar objetos de estimação sem permissão, usar roupas, abrir gavetas, etc. Jamais pegue o que não é seu. Devolva sempre o troco. Não abra a bolsa dos outros. Respeite os segredos que lhe foram confiados.

d. Desenvolva um gosto pela correção. Isso aumenta a confiança dos outros e acaba nos dando mais autonomia: não minta. Faça com que a palavra dada seja conhecida como confiável: se disse que ia chegar às 9horas, chegue, não importa quanto lhe custe, se disse que ia estudar agora, ou lavar a louça, faça isso e no horário prometido. 

e. O que fizer de bom faça-o discretamente sem anunciar-se. Quem vive querendo parabéns por tudo que faz é sempre muito pesado aos outros e demonstra extrema dependência e superficialidade de caráter. 

f. Adquira conhecimentos necessários à vida em sociedade por você mesmo. Não espere que tudo lhe seja dado ou informado. Lance-se, inove. Abrir caminhos não é possível sem amor. É pelo amor que descobrimos oportunidades, amigos, interesses e um novo amor. Por isso evite esses pensamentos de crítica e ressentimento contra a sua família e sua casa. Conheça sobre condução, pagamentos, bancos, escolas, etc. Não espere que decidam por você, vá modelando seu futuro como uma atuação autônoma, porém considerada com os demais. Abra seus próprios caminhos.

g. Desenvolva conscientemente suas amizades e sua vida social. Não espere por circunstâncias ideais. 

h. Respeite a hierarquia da casa e exija respeito. Manifeste sua opinião mesmo que não concordem com ela. 

i. Demonstre que é responsável cumprindo horários, realizando sem que lhe digam o que é seu dever.

À medida que cresça vá se interessando pelos seus “custos”. Evitando gastos inúteis e um consumo descontrolado. Jamais se valha de chantagens para obter de seus pais mais brinquedos, mais objetos de qualquer ordem. O respeito pelos pais passa pelo respeito pela receita da casa. Não crie infelicidades extras por não ter o brinquedo ou a roupa da moda. Você vale pelo que é e não pelo que consome. 

Os pais devem educar seus filhos de modo a incentivar essa atuação independente e centrada em valores conscientemente assumidos de modo a que seus filhos cheguem a uma vida adulta responsável e ativa. Muitas vezes, para se livrar dos aborrecimentos de corrigir, ou ao demonstrar o seu amor, os pais acabam por desenvolver hábitos consumistas, receios e inseguranças, além de atitudes oportunistas. 

Crie marcos em idades chaves como, por exemplo, 7, 13 anos, 15 e 18 anos com elementos como dar a chave de casa, por exemplo, ou demonstrando aos outros membros da família a responsabilidade que aquela pessoa tem valorizando-a oportunamente. E premie: às vezes bastam algumas palavras de valorização para consolidar uma virtude na personalidade jovem. 

Chama-se “mobbing” o assédio moral ou psicológico entre ascendentes e descendentes e ou horizontal no ambiente de trabalho. É preciso tomar cuidado para quem nem atitudes rigoristas demais ou paternalistas ao extremo criem situações familiares que martirizam ora ascendentes ora descendentes. Por isso o amor deve ser a suprema regra. Para renovar o amor que compartilhamos no lar é preciso freqüentar os sacramentos de Deus fonte de amor e de todo o bem.
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "