14 setembro 2012

Boas Maneiras dos Ingleses e os Jogos Olímpicos de Londres

Se você vai a Londres para os jogos Olímpicos, talvez queira relembrar alguns pontos de boas maneiras que são especialmente importantes na Inglaterra.
  1. Jamais fure fila na Inglaterra. É muito mal visto.
  2. Num bar, num lugar público, os ingleses procuram não atrapalhar a circulação das outras pessoas. Se for um grupo grande de amigos bebendo num bar, por exemplo, as pessoas irão apanhar seus drinques em pequenos grupos, jamais impedindo a circulação do lugar. Forme fila sempre.
  3. O mais importante a notar e respeitar no comportamento do inglês é que eles apreciam muito a discrição. Lá não é bem visto esse anunciar tudo que lhe ocorreu para todos, a toda hora e em qualquer lugar. É muito mal visto esse "cacarejar" feitos, glórias, conquistas, problemas, queixas, resmungos. E isso pode ser compreendido, mais do que como uma questão de discrição, ou modéstia, como uma questão de domínio de si. Ou seja, o inglês sabe que ter domínio sobre si mesmo é uma grande coisa, ou a primeira coisa para conquistar outras. Logo não fale, em conversas sociais, com estranhos, em situações sociais específicas como uma confraternização, casamentos, jogos, compulsivamente ou inapropriadamente sobre  
    1. Tudo que lhe aconteceu.
    2. Tudo que sentiu.
    3. Tudo que quer fazer, fez ou fará.
    4. Tudo que lhe aborreceu.
    5. Tudo que acha sobre tudo. 
    6. Ou falar sem parar.
    7. E muito menos sobre vulgaridades de qualquer espécie.
A discrição e a famosa fleugma dos ingleses é na verdade essa "depreciação" de tudo que possa ser jactância, exibicionismo e principalmente descontrole ou falta de domínio sobre si. Perceba sempre a presença dos outros e fale o que é apropriado naquela situação e não o que se quer compulsivamente. 

A modéstia será percebida pelos ingleses e a pessoa será mais a bem aceita do que se competisse, falasse tudo que lhe vem a mente como que para ser "simpático" e que habitualmente pensamos que é cordialidade. Na ideia do brasileiro esse dar-se intimamente para todo mundo é cordialidade. Mas não custa nada aprender um pouco com os ingleses esse ser mais discreto por não dar tanta atenção a si mesmo. E isto nos leva a outra coluna fundamental da famosa educação dos ingleses: ser consciente da presença do outro.
  1. O ingleses são bastante conscientes da presença do outro e por isso nos estádios não gritam, impedem a visibilidade, ou perturbam a apreciação do espetáculo para os outros. Pelo mesmo motivo não sujam os ambientes públicos, não ocupam mais lugares do que deveriam, etc.Você verá muitas vezes uma salva de palmas ao invés das explosivas manifestações que fazemos quando vence o nosso time. Verá nos restaurantes e locais públicos comentários apreciando as belezas do lugar ou o bom preço de um produto comentado como se para nós fosse um segredo. 
  2. De todos os povos do mundo talvez os ingleses sejam dos menos afeitos ao toque e por isso o cumprimento usual é o aperto de mão. Não complemente o aperto de mão com mais toques como toque no ombro, ou no braço. Prefira um aperto firme e rápido de mãos olhando nos olhos.Não dê beijinhos em pessoas que não conhece. Nas que conhece em geral é um beijinho só. 
  3. Gorjetas: Espera-se gorjeta no táxi, no porteiro do hotel se ele carregou suas malas do táxi para o hotel, para o boy que levou as malas para o quarto, no caso dos restaurantes e de drinques que foram levados à mesa também se espera gorjeta. Se você apanhou do bar não há porque dar gorjeta. Esse em geral é o caso dos pubs. A gorjeta é geralmente de 10% do valor da conta e de um ou dois dólares para os carregadores.
  4. Homens entram primeiro no táxi que as mulheres. Em geral se fala o local da corrida antes de se entrar no táxi e se paga depois de saltar.
  5. Não pense que os ingleses são bobos porque quando você esbarrar neles eles vão dizer "sorry". Ou seja, mesmo que você esbarre neles eles pedem desculpas, mas isso é a maneira educada deles de lhe acusar de um erro. Peça desculpas. Quando eles erram suas desculpas são mais longas.
  6. Nós brasileiros em geral não temos dificuldade em conversar. Os ingleses inventaram esse "comentar sobre o tempo" como conversa inicial para quebrar gelo. Saiba reconhecer que é uma conversa social e dê prosseguimento a ela cordialmente. Há para nós uma grande lição nessa famosa opção por comentar o tempo dos ingleses: não comece uma conversa com assuntos íntimos, pessoais, como " - Estou apertado..." ou " - Minha mulher é uma chata." Pessoas educadas nunca falam mal de ninguém e muito menos da própria família. Ou seja, escolha bem as suas conversas sociais. E se temos facilidade de puxar conversa, podemos fazê-lo sobre temas mais gerais. Lembre-se sempre de RESPONDER SOBRE O QUE LHE DISSERAM E NÃO COM O QUE VOCÊ QUER COMENTAR. E LEMBRE-SE TAMBÉM DE DEPOIS DE RESPONDER PERGUNTAR PARA DAR A PALAVRA À OUTRA PESSOA. ( veja aqui no Vida em Sociedade, mais postagens sobre apresentações e conversa na label Apresentações Cumprimentos e Conversas,)
  7. Uma coisa horrível que saiu num manual para os próprios ingleses sobre a mulher brasileira: que ela se veste "assim" normalmente, que ela não está "dando mole". E é verdade, na nossa cultura  muitas mulheres se projetam e são admiradas pelos seus dotes físicos e por isso muitas os colocam em evidência excessiva como própria afirmação de si. Muitos povos não são assim. Há mais consciência de que a mulher é uma pessoa, com uma alma divina, filha de Deus e que portanto deve ser admirada pelo que ela é e não apenas por dotes físicos. Assim um pouco de discrição no vestir e nas expansões, principalmente de deslumbramento, de "peruagem", vão evitar muitas mágoas. Não tenho dúvidas que muitas brasileiras são inocentes nessa busca de projeção pela aparência física, o fazem porque apenas aprenderam assim: esperam ter seu valor reconhecido pelas medidas de seus corpos, são como que expressão de seu "poder" feminino, muitas vezes fortemente estimulado pelos próprios companheiros. É na diferença com os outros povos que podemos aprender mais. 
Boa Viagem!
"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "