26 março 2012

Boas Maneiras dos Patrões com Empregados Domésticos

Todos os serviços honestos são importantes e devem ser respeitados. 


Nosso vergonhoso passado escravista é que o que nos traz ora um ranço elitista de considerar algum serviço menor, ou o gosto por humilhar quem faz trabalhos manuais. 


Todos os trabalhos são importantes e o que conta é a nossa categoria humana. Ou seja, o que da nossa alma emprestamos ao trabalho que realizamos. 


A patroa realmente fina não é esnobe, miserável, ou arrogante com seus empregados domésticos.

Para evitar os abusos de qualquer tipo todos os serviços devem ser vistos e prestados com profissionalismo e com o intento de ser uma oração que oferecemos a Deus e pelo qual sustentamos nossas famílias, desenvolvemos nossos talentos, servimos à família humana e damos Glória a Deus.


Cumprimentando os Empregados Domésticos


  • Dirija-se ao empregado doméstico pelo primeiro nome e jamais por apelidos.
  • Sempre cumprimente o empregado quando ele chega de preferência mencionando o seu primeiro nome: " Bom Dia João."
  • Se for um empregado antigo ou já de idade deve ser tratado pelo nome de família: " - Bom dia Sr. Tavares."
  • Um chofer e um mordomo são também chamados pelo primeiro nome a menos que trabalhem para a família há muito tempo.

    Educação para com os Empregados Domésticos

  • Com todos os empregados domésticos utilizamos - sempre - a palavrinha clássica da etiqueta "obrigado".
  • É especialmente mal educada a pessoa que se dirige ao empregado doméstico de forma rude, peremptória e enfática.
  • É uma grande falta de boas maneiras tratar os empregados domésticos de forma arrogante na frente de convidados.
  • É falta de boas maneiras perseguir o empregado para tratá-lo mal com críticas especialmente na frente de outras pessoas inclusive das crianças. 
  • Não de exemplo de falta de educação aos seus filhos como ser esnobe com os empregados domésticos.
  • Ninguém deve se considerar bem educado ou especial se não trata a todos muito bem inclusive aqueles que dependem de nós. Querer ser esnobe a custa dos empregados domésticos é falta de educação. A grandeza se faz por conquistas nobre não por pisar nos demais.
  • Para que pessoas estranhas não interfiram na vida particular da família uma certa barreira entre os empregados domésticos e a vida familiar é necessária. Mas esta é feita por uma certa dose de formalismo e pela educação. Excessos de intimidade, fofoca e interferência dos empregados na vida do lar não é apropriado. Mas ignorar os empregados porque estamos pagando e não querer saber nada deles porque temos uma relação apenas comercial não é tampouco correto. As pessoas que nos são colocadas por Deus na nossa vida devem receber de nós o que lhes pudermos oferecer de bom. Do mesmo modo, os empregados domésticos devem ser tratados com respeito e certo interesse por suas necessidades. Por isso não devemos nos esquivar de compreendê-los, orientá-los e ajudá-los sempre que for possível. 
  • A dona de casa não deve compartilhar intimidades com os empregados domésticos, nem fazer fofoca ou querê-los do seu lado contra outra pessoa.
  • Não abuse dos seus empregados domésticos. Não deixe louça do dia anterior só porque tem faxineira no dia seguinte. Cada um sabe em sua casa o que é “encostar-se” no outro. Não faça isto, nem consinta que seus filhos o façam. Cada um deve fazer a sua parte sempre. As pessoas de categoria humana não se encostam nem se aproveitam de ninguém muito menos de quem é mais frágil porque ganha menos ou é menos assistido socialmente.

  • Crianças e Empregados Domésticos

    • As crianças não devem ser indelicadas com os empregados. Se são abusadas, folgadas, e mal educadas com os empregados domésticos ou estão repetindo o que os pais estão fazendo ou não estão recebendo suficiente informação sobre boas maneiras. Mas em ambos os casos são as crianças as mal educadas e não há justificativa para que mimos e exigências das crianças, e dos idosos, martirizem ou abusem dos horários e dos direitos dos empregados. Essa insolência das crianças deve ser corrigida e evitada por uma educação prévia porque a tendência é que se volte também para toda a família.
    • Somente a patroa deve dar as ordens, jamais os filhos. O serviço deve estar claramente estabelecido e devem se evitar essas solicitações extras, abusivas como depois de uma faxina completa ainda solicitar que se lave a piscina, ou o cachorro, ou se lhe compre o pão, bem na hora da secretária ir embora.

    Pontos Práticos para a Patroa Educada

    • Evite a ostentação de comodidades, oportunidades e recursos financeiros.
    • Organize bem o serviço para que ele renda e não seja interrompido por imprevidências que muitas vezes são motivadas por essas necessidades néscias de ostentar poder sobre o empregado doméstico.
    • Tenha consideração com o esforço que qualquer trabalho exige e não sobrecarregue o empregado doméstico. Seja interrompendo-o a todo instante com exigências que são apenas manias ou modos muito pessoais de fazer as coisas, mas que não configuram realmente uma melhoria na forma de fazer a tarefa. Ou com conversas intermináveis, nem atrase o serviço para exigir atenção, nem sobre carregue com mais serviços ou mais exigências de última hora.
    • A boa dona de casa sabe que a exigência de cortesia e gentileza começa em casa e se estende por toda a vida em sociedade. E portanto ela deve sempre tratar bem todos os seus empregados domésticos com a mesma cortesia que oferece ao chefe do seu marido. Note que a diferença é o grau de proximidade, amizade, de relacionamento social e não de maior ou menor exigência de cortesia. Sempre somos educados, gentis e corteses. Sempre.
    • As solicitações aos empregados devem ser em tom de orientação e solicitação e não de comando.
    • Os primeiros dias de um empregado podem ser difíceis e por isso o patrão deve ser compreensivo e tranquilizar os novos funcionários além de compreender pequenas falhas e incentivá-los a fazer melhor da próxima vez por explicações claras sobre o serviço sem esses rompantes pretensiosos de intolerância barata com a qual os soberbos gostam de destacar-se. Após os três meses iniciais se pode esperar que o funcionário desempenhe bem suas tarefas. 
    • Explicar o serviço detalhadamente. Exigir pontualidade e perfeição dentro do escopo do serviço acordado. Evite apontar um erro como uma acusação ou como uma falta pessoal. É sempre um erro de serviço e não de caráter. Então diga " - Será preciso colocar sempre todos os utensílios na mesa á hora do almoço." E não " -Você é um incompetente, já lhe falei...". Mesmo passado o período de experiência o funcionário pode deixar de ser cuidadoso e será necessário corrigir o serviço. Mas gritos e descortesias são má administração. Às pessoas de maior escolaridade se espera que se auto-motivem para trabalhar, mas às pessoas de pouca escolaridade será preciso sempre entusiasmá-las, orientá-las a fazer suas tarefas. Por isso uma boa administradora sabe que uma de suas tarefas é natural supervisão do serviço executado pelos seus contratados. E para ser eficiente essa supervisão inclui atenções, interesse pelo serviço, orientações e estímulos apropriados e realizados de forma contínua e permanente. Em geral são as pessoas que não querem se incomodar com o serviço de casa que reclamam quando algo lhes exige atenção e é isso que as incomoda e não o erro propriamente dito. Logo a incompetente não é a empregada, mas quem se destempera por ter o comodismo contrariado. Atarefa da dona da casa não pode ser transferida para a empregada. 
    • A patroa não deve pressupor que o empregado saiba todo o serviço e o modo como lhe agrada para depois reclamar quando o serviço não é feito como esperava. A patroa deve ensinar as regras da casa, como atender ao telefone, como servir à mesa, horários, etc. 
    • As ordens dadas a qualquer empregado doméstico devem ser sempre com educação e segurança. Peça SEMPRE utilizando as expressões “por favor” e “obrigado”. 
    • Não abusar exigindo mais e mais, mas ser realista quanto ao tempo e à quantidade de esforço que é possível executar. Não ser como certos canavieiros que matam os cortadores de cana de tanto os fazer trabalhar seja impondo não contratar quem não se submeta a esforços extremos, seja pelo baixo salário. Respeite os horários combinados e estabeleça uma carga de trabalho humana e razoável e não uma abusiva. Dentro desses limites é possível exigir capricho, um serviço bem feito e pontualidade. 
    • Tratar preços, condições de pagamentos e benefícios de imediato. Ser pontual e correto. É desonestidade fazer o empregado trabalhar os três meses de experiência e pagar a Previdência só depois desse prazo. Mentir sobre a data da admissão ou colocar salários inferiores ao efetivamente pagos para pagar menos Previdência é desonestidade. Isto lesa o empregado e suas garantias futuras e é pecado que clama aos céus. Tenha menos dias de empregado se não pode pagar o que é correto, mas pague sempre o que é correto e em dia. 
    • Evite solicitar serviços extras ou a permanência do empregado além do horário previsto. Se isto for necessário e o empregado concordou em atender, remunere sempre. 
    • Orientar para que o empregado se apresente limpo e com uniforme ou roupa apropriada. Não permita roupas indecentes ou inapropriadas para o serviço como uso de chinelos de dedo para pessoas que sobem escadas, e ofereça todo o material de trabalho e proteção necessário como luvas, escadas em boas condições, etc. 
    • A patroa pode e deve se interessar pelos problemas de seus empregados e auxiliá-los na medida de suas possibilidades. O empregado também pode ser visto como alguém que Deus colocou ao nosso lado para que exerçamos uma influência positiva sobre suas vidas sendo exemplo, dando conselhos oportunos e auxiliando financeiramente se for o caso, e não uma máquina que se usa para fazer o trabalho que não gostamos ou que nos cansa e sobre o qual não temos o menor interesse e que apenas ligamos ou desligamos ao nosso bel prazer. 
    • Sempre se gratifica o empregado doméstico no Natal. 
    • A patroa educada não fala sobre a vida alheia, ou da família com os empregados. Também evitará discutir na frente dos empregados. 
    • Alimentar bem os empregados domésticos oferecendo-lhes comida de boa qualidade, em quantidade apropriada e oferecer-lhes tempo e condições corretas para bem se alimentarem. 
    • A forma de tratamento é a usual: aos mais novos pelo nome, aos idosos com um senhor, senhora. Pode-se chamar-se pela profissão seja motorista, arrumadeira, etc. 
    • Exigir o cuidado dos próprios quartos dos empregados. 
    • Não julgue o valor de um empregado pela capacidade que ele tenha de agradar-lhe, mas pelo serviço que ele presta. É abuso de poder esperar que uma pessoa que já está dependente financeiramente do patrão ainda tenha que satisfazer expectativas emocionais do patrão para conservar o emprego. 
    "Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "