29 março 2012

Boas Maneiras com Portadores de Necessidades Especiais

Somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai e, portanto, devemos acolher todos os nossos irmãos como são. As pessoas educadas aceitam as necessidades especiais de tal maneira que parecem, elas mesmas, portadoras da mesma necessidade, tal a naturalidade com que estão com seus irmãos especiais. Conhecer algumas regrinhas de boas maneiras nos ajudará a agir de modo a sermos sempre gentis com todos os portadores de necessidades especiais.

A missão de um portador de necessidade especial está relacionada à co-redenção e à santificação dos demais. Sua missão nesta vida - e na nossa - é uma mensagem de amor, de superação. Por isso devemos acolhê-los e colaborar como este serviço que esse irmão nos presta, amando-o ainda mais. Portanto, é sempre nosso dever integrar socialmente os portadores de necessidades especiais como presentes de Deus.

Desse modo evitamos reduzir o momento do nosso encontro com elas às comiserações, embaraços, ou mesmo às boas ações práticas de empurrar uma cadeira de rodas, por exemplo. Não promover o encontro real de duas pessoas, por estar-se somente no nível da necessidade especial seria uma redução de toda a troca possível.

Portanto, a pessoa educada não se escandaliza com as necessidades especiais dos surdos, mudos, deficientes mentais, paralíticos, idosos e enfermos de qualquer caso. A pessoa com boas maneiras não as evita, nem tem reações de preconceito ou de dificuldade de relacionamento que acabem por constranger a pessoa com necessidades especiais.

Pontos Práticos de Boas Maneiras e as Necessidades Especiais
Geral
  1. O convívio com pessoas portadoras de deficiência deve ser incentivado. 
  2. Em lugares públicos não fique olhando insistentemente ou apontando para o portador de necessidade especial, nem chamando os seus amigos para vê-lo. 
  3. Chame sempre o portador de necessidade especial pelo seu nome e não por cego ou paralítico, muito menos faça caretas ou mostras de desdém. 
  4. Não pense no portador como um dependente que deve ser tutelado. Mas como uma pessoa com qualidades e defeitos e que tem muito para ensinar e trocar com todos. Às vezes o melhor auxílio para uma pessoa não é nem tanto sobre a deficiência, mas sobre outro aspecto qualquer da vida ao que se chega somente cultivando a amizade sincera. ( Ver Obras de Misericórdia) 
  5. Jamais ignore um portador de necessidade especial. Não importa se se trata de um jovem que quebrou uma perna, (pergunte o que houve e assine o gesso se for o caso) ou um portador de restrição mais grave e que, aparentemente, não possa reagir ao seu cumprimento formalmente, como é o caso de alguns portadores de deficiência mental, ou pessoas muito combalidas pela enfermidade. (Particularmente sempre cumprimento as crianças com paralisia cerebral e afins, como se cumprimenta qualquer criança fofinha e posso garantir que elas gostam e se sabem festejadas, mesmo que aparentemente não o demonstrem As pessoas com paralisia cerebral são geralmente muito inteligentes. ). Se não isolarmos os portadores de necessidades especiais já estaremos sendo educados: portanto cumprimente sempre, com naturalidade e não os ignore nunca. 
  6. Trate os deficientes como adultos e as crianças como crianças sem excessivas familiaridades ou constrangidos pesares que revelem muita inabilidade com a necessidade especial. Isso pode ser muito pesado para o portador e seus familiares. 
  7. Não é preciso falar alto só porque uma pessoa é idosa, faça isso somente se for necessário. 
  8. Respeite o ritmo da pessoa portadora de deficiência. 
  9. Devemos buscar que os portadores de necessidades especiais se sintam sempre à vontade conosco, sem constrangê-los com “cuidados” exagerados que revelam mais nosso comodismo nosso em atendê-los. 
  10. Se você ofereceu ajuda espere a resposta antes de empurrar, pegar a mão ou começar a andar. Não tenha receio de pedir instruções sobre como proceder. Evite nessas horas falar de você e da sua inabilidade de lidar com necessidades especiais. 
  11. Como se sentiria se o seu uma característica sua fosse motivo para as outras pessoas o evitarem? Se aquela pessoa não tivesse uma deficiência você a trataria assim? 
  12. Então a trate sem concessões ou pesares excessivos ou familiaridades que denotem superficialidade no trato por incapacidade pessoal de lidar com necessidades especiais. Amadureça. Às pessoas em cadeiras de roda não damos tapinhas nas costas nem seguramos seus ombros. Para conversar com elas procure sentar-se o mais rapidamente possível para conversar no mesmo nível que ela. Lembre-se que a cadeira de rodas é parte do espaço de quem a usa e por isso devemos nos lembrar de dar-lhe o devido espaço de movimento e livre acesso. 
  13. Quando conversar com alguém com dificuldade auditiva e de fala preste atenção ao que ela diz. Não a corrija, repita ou traduza enquanto ela fala como se estivesse traduzindo o que ela diz. Se possível faça suas perguntas de modo que ela possa responder com frases curtas ou só um assentimento de cabeça. Nunca faça de conta que entendeu o que lhe foi dito se esteve o tempo todo tentando compreender o que ela lhe estava dizendo. Ela pode ser surda ou muda, mas isso não quer dizer que seja burra e se foi você que não a entendeu ela saberá e a sua superficialidade ao tratá-la, fingindo que a entendeu– o que é sempre desconsideração – é o que ficará patente. 
  14. Às pessoas surdas você pode chamá-las acenando ou chamando-as por um toque no ombro. Fique sempre de frente para elas de modo que possam ver seus lábios e fale pausadamente e claramente. Não masque chicletes, nem faça nada que possa prejudicar a clareza da sua fala como fumar ou falar enquanto come. Nem todas as pessoas podem fazer leitura labial. Mas mantenha-se no seu campo visual enquanto conversam. Evite os exageros de caras e bocas. Não se acanhe de usar bilhetes. 
  15. Idosos também têm necessidades especiais, e é preciso rever àquelas relacionadas às boas maneiras que demonstrem consideração e carinho para com suas limitações de idade. Veja as postagens do Vida em Sociedade sobre idosos. 
  16. Horrível: Num país como o nosso, com uma longa tradição elitista e com grande exclusão social, os processos culturais de discriminação social que afetam os portadores de necessidades especiais de natureza física, se estendem também aos excluídos sociais. Isso é obsceno. Nossa missão é, sem dúvida, retirar de nossa cultura todo traço de discriminação elitista e acolher a todos, com suas necessidades especiais de natureza física ou social e auxiliá-los na solução ou melhoria da qualidade de vida sem distinção de qualquer natureza. 



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"Boa parte da nossa vida está composta de pequenos encontros com pessoas que vemos no elevador, na fila do ônibus, na sala de espera do médico, no meio do trânsito da cidade grande ou na única farmácia da cidadezinha onde vivemos... e ainda que sejam momentos esporádicos e fugazes, são muitos por dia e incontáveis ao longo de uma vida. Para um cristão, são importantes, porque são ocasiões que Deus lhe dá para rezar por essas pessoas e mostrar-lhes o seu apreço, tal como deve suceder entre os que são filhos de um mesmo Pai. Fazemos isso normalmente através desses pormenores de educação e de cortesia que temos habitualmente com qualquer pessoa, e que se transformam facilmente em veículos da virtude sobrenatural da caridade." Fernández-Carvajal, Coleção Falar com Deus" volume 3,Tempo Comum(1) Semanas I a XII, pag. 33. "