O Mais Elementar em Boas Maneiras

Sempre nos comove, quando, no Natal, nos chamam a atenção para o fato de que Cristo, que é Deus, nasceu numa manjedoura, nasceu na pobreza e de como isso nos fala sobre a importância da humildade. É mesmo muito linda a ideia de que Deus mesmo, criador de todas as coisas, prefere a discrição, a simplicidade, a pobreza. São muitas as lições que se podem depreender dessa ideia: simplicidade, discrição, modéstia e humildade por exemplo.

Mas é preciso traduzir isso para pontos concretos da vida diária. Outro dia fomos ver um especialista ( deixemos assim porque pode acontecer com qualquer técnico) e ficamos surpresos como desconheciam, ao menos em termos práticos, a importância da humildade cotidiana como expressão da verdadeira excelência. Eram na verdade três técnicos que se apresentavam juntos para nos atender. Apesar de serem todos de elevado nível técnico o que vi foram três crianças competindo pelo amor da mamãe: quem era o melhor, o mais bonito, o mais importante.

É inacreditável como pessoas de um nível técnico tão elevado e já com uma idade tão avançada possam chegar a ser tão humanamente imaturos.

Cada um ficou dizendo o tempo todo quão importante era: por isso e aquilo, mais que o outro, deste modo e daquele outro, aqui e lá, antes e depois, etc. E insistiram em repetir seus feitos inclusive para nós simples "pastores" que não trazíamos nem incenso, nem mirra, nem votávamos para os indicados ao prêmio Pulitzer, ou para o Oscar e muito menos para o Prêmio Nobel. Não podemos dizer mais sobre eles porque, como se sabe, essas pessoas sem humildade não escutam, logo não se funda encontro e tudo permanece o mesmo, para eles e para nós: bruxos em frente ao espelho querendo saber quem é mais bonito do que eles.

Além da auto promoção, bajularam-se mutua e falsamente.  Desdenharam do outro tão logo um saiu da sala, insistiram em destacar-se sobre qualquer assunto abordado. Adularam gratuitamente os ricos presentes. Deixaram esperando desnecessariamente e por essa vilania da presunção, aos pobres que no corredor precisavam deles. Cometeram, naturalmente, vários erros de boas maneiras e de falta de virtude real devido a essa admiração constante pela própria excelência.

Cristo passou a vida fazendo o bem e fazia o bem porque servia e servia bem porque fazia bem feito e para fazer bem feito demonstrou que é preciso humildade, mansidão e espírito de serviço. O cultivo pessoal que leva à verdadeira excelência implica em um cultivar-se em técnica, mas mais ainda num cultivar-se humano que por sua vez, como todo cultivo, pede a " humildade de inclinar-se para recolher."(1). 

Não tenham dúvidas: quanto maior a formação técnica, as oportunidades, a inteligência, maior é o dever de ter qualidade humana. É preciso imitar a Cristo que sendo Deus se colocou como servidor. 

Dica de boas maneiras: se você é médico, em especial um grande médico, um juiz, um catedrático, um pastor ou bispo, um parlamentar seja excelente também nas suas qualidade humanas de respeito, espírito de serviço, boas maneiras, etc. Isso de pensar o tempo todo em si mesmo, competir e contemplar-se pelo que conquistou é coisa comum a gente da pior espécie. Cabe ainda lembrar que o mal nunca fica parado, sempre progride, por isso é preciso cortá-lo. Ou seja, se você adquiriu alguma forma de excelência técnica pode perdê-la pela presunção, maus tratos aos clientes, falta de companheirismo, exibicionismo, etc.

Lembre-se do que Cristo ensinou e a Igreja perpetua. As lições de Cristo são primordialmente para adultos e não devemos ter apenas a formação humana do catecismo da infância. Ao contrário, devemos nos atualizar sempre até "divinizarmos" nosso comportamento pela imitação de Cristo. Só o que é divino pode elevar a nossa humanidade a picos mais altos que a mera excelência técnica.

(1) Hans Gadamer

Boas Maneiras para Meninas: Livrinho Gratuito As Três Princesas

Faça o download deste livrinho aqui. ( PDF)

Em Power Point aqui.